Líderes indígenas e representantes de minorias sociais marcharam na segunda-feira, no Dia da Amazónia, na cidade brasileira de Manaus para exigir o fim da impunidade por ataques que atribuem às “ameaças” do governo de Jair Bolsonaro
A 27 dias das eleições presidenciais, a manifestação, também planeada noutras cidades do país, coincidiu com o Grito dos Excluídos, organizado pela Igreja Católica desde 1995 em defesa das minorias, numa contraprogramação das celebrações do bicentenário da Independência do Brasil.
“Brasil: 200 anos de (in)dependência para quem?” foi o slogan escolhido para a edição de 2022, que regressou após uma ausência de dois anos devido à pandemia do coronavírus.
Representantes dos povos nativos percorreram longas distâncias, por terra e água, para chegar hoje a Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas (norte), de onde iniciaram uma marcha de cerca de cinco quilómetros.
A palavra mais repetida foi “Justiça”. Alessandra Macedo, do grupo étnico Munduruku, veio em busca de respostas para o assassinato, a 05 de agosto de 2020, de dois jovens irmãos da sua aldeia durante uma brutal rusga policial na região.
“Queremos justiça e queremos que o Governo faça reparações pelo que fez e nos dê segurança. A polícia não pode entrar assim porque realmente mataram dois povos indígenas”, explica à agência noticiosa espanhola Efe.
Segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica, as invasões de reservas indígenas cresceram em 2021 para 305 casos, quase três vezes mais do que em 2018, um ano antes de Bolsonaro ter assumido a presidência.
“Enfrentamos uma violência que está relacionada com a nossa riqueza natural”, como “ouro, madeira, peixe” e “esta agressão acaba por matar culturas indígenas”, disse o arcebispo de Manaus, Leonardo Ulrich Steiner, nomeado o primeiro cardeal da Amazónia a 27 de agosto pelo Papa Francisco.
Os movimentos indígenas e ambientais culpam o chefe de Estado por transformar a Amazónia numa “terra sem lei”, onde os madeireiros, mineiros e gangues de droga estão cada vez mais presentes.
Bolsonaro, que procura ser reeleito em outubro, recusa-se a demarcar novas reservas indígenas, defende a exploração mineral nestes territórios e chegou mesmo a culpar os fogos recordes que devastam a Amazónia aos próprios povos nativos e às comunidades “ribeirinhas”.