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“As reformas económicas vão continuar em Angola”

Manuel Nunes Júnior elenca os ganhos destes quatro anos em Angola e garante que a saída do FMI não vai refrear o espírito reformista do Executivo, que se mantém focado em continuar a criar condições para atrair investimento para os sectores produtivos da economia, mais emprego e mais concorrência. 

A generalidade das previsões para Angola, incluindo do Executivo, aponta para uma ligeira retoma do crescimento em 2021 e alguma aceleração em 2022. Quais serão os pilares desta recuperação?

O país vive uma recessão económica desde 2016, o que constitui uma situação muito difícil e complexa económica e socialmente, e que tem a ver com o peso ainda muito grande do sector petrolífero na estrutura económica do país, com a redução do preço do barril, que se iniciou em 2014 e, ultimamente, com os efeitos da pandemia da Covid-19. As reformas políticas e económicas levadas a cabo pelo Executivo desde finais de 2017, quando entrou em funções, para além de terem conseguido alcançar a estabilidade macroeconómica, começam a dar os primeiros frutos do ponto de vista da economia real, isto é, do sector encarregue da produção de bens e serviços.

E por isso as previsões melhoram…

As projecções das principais instituições internacionais, como o FMI e o Banco Mundial (BM), e das agências de ‘rating’, apontam para o fim da recessão em 2021, mesmo com um recuo do sector petrolífero em cerca de 10,6%. Angola terá crescido, em 2021, entre 0,1% e 0,4%, graças a um crescimento vigoroso do sector não petrolífero, de cerca de 5,9%. É preciso realçar este facto. Vamos aguardar pelos dados definitivos. Se os números se confirmarem, será muito bom para o país e para os angolanos: 2021 assinalará o fim de um longo período de recessão económica.

Este ano será melhor…

As nossas previsões apontam para 2,4%, graças a um crescimento tanto do sector do petróleo e gás, quanto do não petrolífero, em 1,3% e 3,1%, respectivamente. O BM e o FMI apontam para cerca de 3% – uma previsão mais optimista do que a nossa. O crescimento não petrolífero será suportado, fundamentalmente, pelos sectores da agricultura, pescas, indústria, construção, comércio, transporte e outros serviços, no âmbito do processo de diversificação da economia em curso em Angola.

A economia nacional está hoje mais resiliente, ou, pelo contrário, mais fragilizada perante cenários adversos, com o impacto da Covid-19?

As reformas iniciadas em 2018 pelo Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), e que contaram com o apoio do FMI, no âmbito do Programa de Financiamento Alargado (EFF – Extended Fund Facility), permitiram a eliminação dos principais desequilíbrios estruturais e conjunturais da nossa economia, levando à retoma dos ‘superavits’ fiscais e ao equilíbrio do mercado cambial, conferindo ao País maior robustez e resiliência aos choques externos. Agricultura, pescas, comércio e indústria têm mantido taxas de crescimento positivas, mesmo em contexto de pandemia, de constrangimentos na provisão de factores de produção e de condições climatéricas menos favoráveis, como é o caso das secas no Sul do País. Entretanto, os sectores mais afectados pela pandemia – transporte e logística, turismo e hotelaria – já evidenciam um ritmo de recuperação acima da tendência regional, demonstrando que a economia nacional está mais resiliente.

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