Maioria dos salários perde poder de compra em 2022 em Portugal -

Maioria dos salários perde poder de compra em 2022 em Portugal

Cerca de um quarto dos trabalhadores portugueses recebe o salário mínimo nacional, que terá um aumento de 4,7% no próximo ano, mas metade desse valor será anulado pela inflação (2,6% em novembro passado). Os restantes trabalhadores vão sentir perda do poder de compra, visto que o aumento dos salários médios será igual à inflação e o ganho mensal médio recuou 1% até setembro. Os economistas dividem-se entre considerar que há margem para aumentar salários, sem que isso crie desequilíbrios económicos, ou que as empresas não têm possibilidades de o fazer, dada a carga fiscal e o incremento de custos de produção, como a subida dos preços da energia.

Nos últimos três anos, o salário mínimo aumentou quase 11% e, para o ano, ainda vai subir mais 6%, para 705€. Desde 2019, os restantes salários pouco cresceram: o rendimento médio base subiu 3,4% e o ganho mensal médio evoluiu 7,7%, mas caiu 1% até setembro deste ano. Com a inflação deste ano a crescer (2,6% em novembro), metade do aumento do salário mínimo vai ser absorvido pela subida dos preços e a maioria dos restantes salários vai encolher.

O economista Filipe Garcia considera que, com um “aumento compulsório” do salário mínimo nas empresas, poderá ser difícil subir outros salários. “Para que os salários possam subir, as empresas têm de ter capacidade e vontade de o fazer. E às vezes há vontade, mas não há capacidade, até devido à carga fiscal pesadíssima – quer sobre o trabalho quer sobre a atividade -, que deprime as margens das empresas”, explica.

MARGEM PARA SUBIR

Partindo de uma análise comparativa entre o PIB por trabalhador e o custo de mão de obra de cada país da União Europeia, o economista Eugénio Rosa considera que, em Portugal, “há margem para um aumento geral de 6% dos salários sem gerar desequilíbrios económicos”. Em Portugal, em 2020, o PIB por trabalhador foi de 44 179 euros, apenas 62,2% da média dos países da UE. Em contrapartida, os custos de mão de obra foram de apenas 58,6% do custo médio da UE. Assim, para manter a mesma relação da média europeia em Portugal, “ter-se-ia de aumentar os salários em Portugal de 58,6% do custo médio da UE para 62,2%, o que daria um aumento geral de 6% dos salários em Portugal”.

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