‘Start-ups’ portuguesas e brasileiras reconhecidas em Macau

‘Start-ups’ portuguesas e brasileiras reconhecidas em Macau

Biosolvit, uma ‘start-up’ que desenvolveu um produto para absorver derivados de petróleo em terra ou no mar, venceu o concurso inaugural de Inovação e Empreendedorismo (Macau) para Empresas Tecnológicas do Brasil e de Portugal, realizado na sexta-feira passada (dia 29 de outubro).

Organizado pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), em cooperação com o Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau, o concurso é mais uma tentativa de promover o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, desta vez na área da inovação tecnológica.

Foi recomendado um total de 20 projetos para a participação de oito incubadoras e instituições de ensino superior oriundas de Portugal e Brasil, com uma apresentação de 10 minutos online e uma sessão de perguntas e respostas para cada um dos projetos integrados na ronda final do concurso, com parte do evento a ser realizado no Banyan Tree Hotel.

A maioria das empresas esteve envolvida em soluções inovadoras nas áreas da saúde, proteção ambiental ecológica e inteligência artificial, com um painel de juízes composto por 10 peritos – incluindo investidores, instituições financeiras, investigadores e empresários na área da tecnologia – que selecionaram os vencedores dos cinco principais prémios.

O grande vencedor foi a Biosolvit de Portugal, em segundo ficou a NURISE (Portugal) e o terceiro posto foi ocupado pela RYAPURTECH (Portugal).

Os vencedores receberam 100 mil, 80 mil e 50 mil patacas, respetivamente, em prémios monetários e certificados correspondentes.

Por outro lado, a BIOO (Brasil) ganhou o “Prémio de Maior Potencial de Desenvolvimento na Área da Baía” e a Pocket Clinic (Brasil) recebeu o “Prémio de Transferência do Valor Científico e Tecnológico”.

O vencedor do primeiro prémio, a ‘start- -up’ de biotecnologia Biosolvit, desenvolveu um absorvedor natural, denominado Bioblue, que utiliza biomassa descartada como matéria-prima para absorver derivados de petróleo em terra ou no mar, reduzindo o risco de contaminação e resíduos. A empresa foi fundada em 2017, no Brasil, por Guilhermo Pinheiro de Queiroz, com o objetivo de realizar investigação e desenvolvimento de novos materiais utilizando fibras vegetais descartadas no processo de produção de corações de palma enlatados.

Com vários prémios e novos produtos no seu currículo, a empresa decidiu mudar-se para Portugal visando o desenvolvimento de mais produtos, concorrendo como ‘start-up’ portuguesa neste concurso.

“O Bioblue nasceu da necessidade do mercado em produtos 100 por cento ecológicos e sustentáveis para resolver problemas ambientais produzidos por empresas insustentáveis, ajudando assim a vida marinha e o ambiente. O mercado coberto pelo Bioblue é extremamente amplo, portanto, dá-nos a possibilidade de oferecer os nossos produtos a refinarias, siderurgias, empresas mineiras, estações de serviço, entre outras empresas”, afirmou a ‘start-up’.

O produto foi lançado durante a Offshore Technology Conference em Houston, nos Estados Unidos (EUA), no mês de agosto, e já se encontra à venda no mercado internacional.

Um dos juízes na competição, Agalai Kong – CEO e fundador do grupo tecnológico LeapFive – disse à Macau News Agency que um dos principais aspetos que procurou ao avaliar as empresas concorrentes era a sua contribuição para o desenvolvimento ‘verde’ e sustentável.

“Com o aquecimento global a provocar tanta mudança rápida no nosso ambiente, procurei empresas que pudessem criar melhores fontes de energia ou aproveitar as fontes de energia atuais para ajudar a reduzir a pegada de carbono. Além disso, também procurei empresas que pudessem criar tecnologias no auxílio a uma maior sustentabilidade do nosso ambiente”, disse Kong à MNA.

“Outras preocupações envolviam tecnologias que pudessem ajudar a melhorar a saúde das nossas populações em envelhecimento”, acrescentou.

Como antiga CTO da Google Enterprise Networks e Google Cloud Office, está muito familiarizada com outra “Grande Baía” mundialmente famosa, a Área da Baía de São Francisco, tendo trabalhado no Silicon Valley durante muitos anos.

“Uma das coisas boas da conjuntura norte-americana em Silicon Valley é que tem a capacidade de atrair talentos e financiamento de todo o mundo. Para a nossa região (Área da Grande Baía) deveríamos repetir o mesmo modelo e ver como atrair talentos globais que possam contribuir. Contudo, no que diz respeito ao financiamento, temos muito mais do que isso”, sublinhou.

Vários dos participantes no concurso deste ano já tinham tido a oportunidade de visitar a Área da Grande Baía e Hengqin em iniciativas anteriores das autoridades de Macau, incluindo Luis Monteiro, um dos fundadores da NURISE, uma ‘start- -up’ portuguesa focada na monitorização de radiações de raios X, que ficou em segundo lugar no concurso.

Fundada na Universidade de Aveiro, a NURISE espera reduzir os riscos de saúde através do controlo dos níveis de radiação numa radiografia.

“Estamos a ajudar outros a aplicar radioterapia precisa, fornecendo dados em tempo real. Isto significa que medimos a quantidade de radiação emitida e utilizamos os nossos dados para a comparar, de modo a saber imediatamente quando há um desvio e informar os médicos”, disse Monteiro à Macau News Agency.

“Estamos na fase de expansão, estamos próximos do mercado e iniciámos o processo de regulamentação nos EUA, com a Food and Drug Administration. Neste momento, identificamos três mercados principais: a Europa, os Estados Unidos e a Ásia. A nossa presença em Macau foi uma forma de avaliar como podemos abordar o mercado e identificar tanto parceiros industriais como clínicos”, salientou.

A ‘start-up’ portuguesa tem estado a trabalhar com instituições hospitalares chave na Europa para obter os dados clínicos necessários para os processos regulamentares e planeia fazer o mesmo nos Estados Unidos, Macau ou Grande Baía. O diretor do DSEDT, Tai Kin Ip, expressou no seu discurso durante o concurso que esperava que este ajudasse a descobrir mais projetos originais de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal com potencial de mercado.

“Esperamos que possa também ajudar Macau a tornar-se uma ponte para a sua implementação e desenvolvimento na região e ajudar as empresas do Brasil e de Portugal a obterem acesso ao mercado continental chinês. Desta forma, ao mesmo tempo que promove o intercâmbio e a cooperação tecnológica, Macau poderia também diversificar moderadamente o seu desenvolvimento económico”, observou. De acordo com o diretor do DSEDT, o objetivo estaria então de acordo com as intenções do 14º Plano Quinquenal Nacional – implementar uma estratégia de desenvolvimento orientada para a inovação e estabelecer um objetivo claro no desenvolvimento da Área da Grande Baía, criando um pólo internacional de inovação e tecnologia.

Ao mesmo tempo, utilizar a recentemente estabelecida Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, para proporcionar melhores recursos e mais espaço para Macau desenvolver a sua indústria científica e tecnológica.

“Se as condições o permitirem, gostaríamos de convidar as equipas participantes a Macau e à Área da Grande Baía para contactarem diretamente com possíveis investidores ou parceiros no mercado local. É um dos ângulos que foram raros na cooperação científica e tecnológica entre as duas partes”, concluiu Tai.

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