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O sonho olímpico de Hend Zaza, uma tenista de mesa síria de apenas 12 anos

Fayez Wehbe

Primeira jogadora de ténis de mesa da Síria e a mais jovem na história dos Jogos, Hend Zaza, de apenas 12 anos, empunhará a sua raquete em Tóquio para realizar um sonho de menina e dar esperança a seu país devastado pela guerra

Da noite para o dia, a jovem se tornou a atleta mais conhecida da Síria após sua vitória no campeonato asiático de tênis de mesa contra a libanesa Mariana Sahakian, de 42 anos, por 4 a 3. O triunfo deu a Zaza a classificação para os Jogos de Tóquio-2020, nos quais será a competidora mais jovem.

Seis atletas sírios, cinco homens e uma mulher, já viajaram para o Japão. Além de Zaza, a delegação é formada por Majd Eddin Ghazal (atletismo/salto em altura), Maan Asaad (levantamento de peso), Ahmad Hamcho (hipismo/salto), Ayman Kelzieh (natação) e Mohamad Maso (triatlo).

A jovem síria estreia neste sábado nas eliminatórias, contra a veterana austríaca Liu Jia (39 anos).

Física e intuição

Foi o técnico Adham Jamaan quem descobriu o talento da garota em 2014, quando ela tinha apenas 5 anos e treinava com o irmão mais velho Obeida, ex-campeão nacional na categoria júnior. “Eu a descobri em uma sala de Hama (centro do país). Fiquei impressionado com seu físico, seu dinamismo e sua intuição. Seu talento é inato”, destaca o treinador.

Apenas sete meses depois daquele momento, Hend foi proclamada vice-campeão síria júnior, aos seis anos. Desde então, não parou de brilhar.

Aos nove, ela ganhou os campeonatos da Síria e da Ásia Ocidental com menos de 12 anos. Em 2018, conquistou o campeonato feminino sírio, apesar do conflito armado que vive o país e que já causou mais de meio milhão de mortes desde 2011, com a eclosão de manifestações antigovernamentais.

“A guerra afetou a todos nós e treinamos em condições difíceis, com cortes de energia na sala, onde às vezes nos refugiamos por horas, além de dificuldades na obtenção de vistos para participar de competições no exterior”, diz Jamaan.

Estudar para ser farmacêutica 

Apesar de todas as dificuldades, a jovem Hend, originalmente de Qasiun, continuou a melhorar seus resultados.

“Eu estava confiante de que poderia vencer o campeonato da Ásia Ocidental na Jordânia e estava muito feliz”, disse ela à AFP. “Tenho o sonho de ser campeã mundial e campeã olímpica”, acrescenta a jovem, que também não quer deixar de estudar para “virar farmacêutica”.

Seu pai, um ex-jogador de futebol, pagava aulas particulares quando Hend não podia ir à escola por causa de seus compromissos esportivos.

Seu técnico Jamaan, porém, é realista e cauteloso quanto ao evento olímpico: “Já estabelecemos um plano para Hend há cinco anos e (…) em Tóquio-2020 sua participação poderia ser honrosa; nossa ambição é conquistar a medalha em 2024 em Paris”.

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