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Pequim lança ataque público às gigantes de tecnologia

Plataforma com AFP

A gigante Didi Chuxing é o exemplo perfeito de que o que sobe, pode descer… e rápido

Dias após uma IPO (oferta pública inicial) em Nova Iorque que angariou 4,4 mil milhões de dólares americanos, a aplicação da Didi foi banida das lojas no mercado chinês por questões de recolha e tratamento de dados, o que levou as ações a descer e processos judiciais de investidores furiosos.

Um dia mais tarde, foram anunciadas investigações semelhantes de ciber-segurança em plataformas de mais duas empresas chinesas cotadas nos EUA.

Pequim está a ferir as próprias empresas, e porquê?

Um dos objetivos passa por organizar um espaço outrora livre, pois as empresas detentoras de dados sensíveis dos utilizadores floresceram, em parte, devido à falta de regulamentação.

Recentemente, Pequim começou a reforçar o seu regime de segurança, ao mesmo tempo que exprime a sua preocupação com a recolha excessiva de dados. A prioridade é proteger os utilizadores de abusos – espelhando as preocupações dos EUA com as aplicações chinesas no seu mercado doméstico.

No entanto, analistas entendem que podem estar em jogo razões mais profundas.

“Não há nada que o partido goste menos do que coisas que saem do seu controlo”, disse Kendra Schaefer, da consultoria Trivium China, referindo-se ao Partido Comunista no poder.

O objetivo parece ser estabelecer um mecanismo de controlo, e um resultado potencial é uma revisão da cibersegurança que poderia permitir às autoridades travar os IPOs.

Embora Pequim tenha encorajado as empresas a tornarem-se globais, uma apressada listagem de empresas de tecnologia no estrangeiro provavelmente chamou a atenção dos reguladores.

“Estas IPOs estão a acontecer sem autorização regulamentar suficiente, pelo menos na opinião dos reguladores chineses”, disse Schaefer à AFP.

Enquanto os gigantes tecnológicos da China vão acumulando dados pessoais sobre todos os aspetos da vida – desde hábitos de transporte a pagamentos – há um mal-estar crescente no governo do Presidente Xi Jinping, que receia quem os controla. A preocupação deriva, em parte, da possibilidade de fuga de dados sensíveis para fora do país.

As ações da Didi afundaram 24 por cento na terça-feira, depois de uma IPO bem-sucedida, numa fase inicial. Agora os acionistas dos EUA estão a processar a empresa por não ter revelado as negociações em curso com os reguladores chineses.

Os parafusos da arquitetura tecnológica chinesa têm sido apertados. Em maio, mais de 100 aplicações foram ordenadas a retificar problemas com a recolha de dados, incluindo nomes proeminentes como a ByteDance’s Douyin (TikTok).

No ano passado, o braço financeiro da Alibaba – Ant Group – teve o seu IPO de 34 mil milhões de dólares americanos afundado por práticas monopolistas.

“Antes disso, vimos uma intervenção governamental na listagem do Ant Group… é muito difícil determinar as razões por detrás do timing, mas está tudo relacionado com dados”, disse Hong Hao, da empresa de serviços financeiros Bocom International.

Empresas – incluindo o gigante tecnológico Tencent – foram penalizadas por negócios que alegadamente violaram regulamentos antimonopólio. A Alibaba recebeu em abril uma multa recorde de 2,78 mil milhões de dólares americanos.

A gigante do comércio elecrónico ficou debaixo de fogo por forçar a prática de “escolher um de dois” – obrigando os comerciantes a trabalhar apenas com a sua plataforma e não com os rivais.

Embora tais infrações tivessem sido há muito uma característica da indústria, as empresas comprometeram-se desde então a respeitar as diretrizes antimonopólio. O que vem a seguir?

Os danos são mais do que superficiais. “As empresas chinesas da internet vão despedir-se oficialmente da sua fase de crescimento bárbaro”, disse o antigo empresário e perito da Universidade de Zhejiang, Fang Xingdong.

Num comentário, afirmou que o estabelecimento de um “sentido de conformidade” passa a ser uma estratégia importante para que tais empresas avancem.

Por enquanto, Pequim comprometeu-se a intensificar a supervisão das empresas chinesas listadas no estrangeiro e a reforçar a gestão dos fluxos de dados transfronteiriços.

Embora o governo não partilhe promenores, numa primeira indicação, a Bloomberg News relatou que os reguladores estavam a planear rever as regras de listagem estrangeiras para colmatar uma lacuna utilizada por gigantes tecnológicos para atrair capital estrangeiro.

As alterações permitiriam às autoridades bloquear a cotação de uma empresa chinesa no estrangeiro, mesmo que a unidade que vende ações seja incorporada no estrangeiro.

As empresas chinesas poderiam jogar pelo seguro e listar mais perto de casa a curto prazo, dado que o espaço regulamentar é “extremamente volátil e incerto”, disse Schaefer da Trivium.

Esta semana, a empresa de veículos eléctricos XPeng, cotada nos EUA, começou a negociar em Hong Kong.

Empresas incluindo a plataforma de partilha de bicicletas Hello Inc e o serviço de áudio Ximalaya parecem ter colocado os planos de listagem dos EUA em espera, informou a Bloomberg – mas outras como a loja de conveniência Bianlifeng estão a avançar.

Hong, da Bocom International, acredita que uma listagem em Hong Kong pode servir de proteção contra as pressões regulamentares de Pequim e Washington.

“O ano passado foi um grande ano para muitas destas empresas chinesas cotadas nos EUA voltarem a Hong Kong. Este ano penso que o processo até está a acelerar”, disse.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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