Principal fonte de importações brasileiras desde 2019, a China atingiu os 21,9% das compras estrangeiras brasileiras no ano passado, à frente da União Europeia, de acordo com um novo estudo publicado no Brasil
Um inquérito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que, além de aumentar as exportações para o Brasil, a China também começou a vender produtos cada vez mais sofisticados.
Analisando 15 setores industriais, o inquérito concluiu que as importações da China cresceram em 11, mantiveram-se em três e caíram em apenas um.
Entre os setores mais avançados da China de 2006 a 2020 encontram-se máquinas e equipamento, produtos químicos e materiais elétricos. Mesmo segmentos em que o país asiático tinha pouca tradição ganharam quotas de mercado significativas: veículos pesados e ligeiros e produtos químicos finos.
Ao mesmo tempo, a indústria brasileira começou a comprar cada vez menos a outras regiões e a outros países. Dos 15 setores inquiridos, 11 começaram a importar menos da União Europeia e do Japão e 13 começaram a comprar cada vez menos da América do Sul e dos Estados Unidos.
O gestor das Políticas Nacionais de Integração da CNI, Fabrizio Sardelli Panzini, disse à Agencia Brasil que os números mostram uma perda de qualidade do comércio externo brasileiro, uma vez que 75% das exportações para a China estão concentradas em soja, minério de ferro e petróleo, enquanto as importações são cada vez mais de bens complexos.
O gestor da CNI defende a rápida aprovação e implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, para que a indústria brasileira possa recuperar a quota de exportações.
Nos últimos 15 anos, a China tem feito progressos consideráveis no comércio externo. Em 2006, o país teve 8,6% das importações brasileiras. Tradicionalmente o principal fornecedor de produtos ao Brasil, a União Europeia viu a quota diminuir de 20,3% em 2006 para 19,1% no ano passado.
No mesmo período, os Estados Unidos mantiveram uma participação relativamente estável nas importações brasileiras, com um ligeiro aumento de 15,7% para 17,6%, mantendo a terceira posição.
O principal perdedor na origem das importações brasileiras foi a América do Sul. Do segundo lugar em 2006, responsável por 17,6% das compras estrangeiras do Brasil, o continente caiu para o quarto lugar, com 11,4% em 2020.