Gaza retorna à normalidade após 11 dias de conflito - Plataforma Media

Gaza retorna à normalidade após 11 dias de conflito

Gaza parecia retornar à normalidade neste sábado, enquanto a comunidade internacional organizava a ajuda de emergência e começava a negociar a reconstrução do enclave palestino, após 11 dias de um conflito devastador com Israel

Equipes de resgate continuavam procurando sobreviventes entre os escombros depois de retirarem na sexta-feira cinco corpos e uma dúzia de sobreviventes dos túneis subterrâneos, bombardeados pelo exército israelense. 

As hostilidades entre o movimiento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Israel, que impõe um bloqueio a este pequeno território desde 2007, obrigaram os pescadores a ficarem em casa por quase duas semanas.

No domingo, os funcionários públicos voltarão ao trabalho, no horário normal de expediente, informou o governo local, controlado pelo Hamas.

‘Está tudo perdido’

Nas lojas do distrito de Al-Rimal, em Gaza, aos pés de um prédio de 10 andares destruído em um ataque israelense, os manequins de plástico vestidos com as coleções de 2021 estavam cobertos por uma grossa camada de poeira.

“Isso é a poeira das bombas israelenses, que se prenderam na roupa. Não poderemos vender esta mercadoria”, lamenta Bilal Mansur, um vendedor de 29 anos. 

“Nossos estoques estavam cheios porque nos preparávamos para o Aíd, o final do Ramadã, quando as vendas são boas. Mas agora tudo está perdido”, acrescentou Waël Amin Al, dono de uma loja vizinha repleta de cacos de vidro. “Talvez eu tenha perdido o equivalente a 250.000 dólares em mercadorias. Quem vai pagar tudo isso? Quem?”, se pergunta.

A escalada da violência na região deixou 248 palestinos mortos, entre eles 66 crianças e combatentes, segundo as autoridades de Gaza. Em Israel, o lançamento de foguetes a partir de Gaza matou 12 pessoas, entre elas uma criança, um adolescente e um soldado, segundo a polícia. 

Pouco depois de a trégua entrar em vigor às 02h00 da madrugada de sexta-feira, os dois lados declararam vitória. O chefe do gabinete político do Hamas, Ismail Haniyeh, celebrou uma “vitória estratégica” contra Israel e disse que “deu um golpe severo e doloroso que deixará profundas marcas” em seu adversário. 

“Alcançamos os objetivos, é um sucesso extraordinário”, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ao comentar a ofensiva israelense contra o território palestino, onde vivem cerca de dois milhões de palestinos. “Mais de 200 terroristas, entre eles 25 oficiais de alto escalão, morreram”, afirmou.

No entanto, o cessar-fogo anunciado na quinta-feira à noite por ambas as partes não estabeleceu uma data limite para o fim dos combates e continua sendo frágil. Um desfile de combatentes do Hamas reuniu na tarde deste sábado centenas de participantes. 

Reconstrução

Duas delegações do Egito chegaram a Israel e aos Territórios Palestinos “para supervisionar” o cumprimento do cessar-fogo, segundo a imprensa estatal egípcia. Uma delas foi recebida em Ramalah pelo presidente da Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada, Mahmud Abbas.

Enquanto vários comboios de ajuda humanitária de emergência chegavam a Gaza ontem, o chanceler egípcio disse que havia recebido um telefonema do colega israelense para discutir as medidas necessárias a fim de facilitar a reconstrução em Gaza.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou ontem que deseja fornecer uma ajuda financeira “significativa” com a ajuda da comunidade internacional para “reconstruir Gaza”, mas sem dar ao Hamas –considerado terrorista pelos Estados Unidos– “a oportunidade de reconstruir seu sistema de armamento”. Ele também reiterou a solução de dois Estados, uma Palestina independente junto a Israel, destacando-a como “a única resposta possível”, enquanto espera que o chefe da diplomacia americana Antony Blinken visite o Oriente Médio “nos próximos dias”. 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos, suspensas desde 2014, encontram muitos obstáculos, como o status de Jerusalém Oriental e a colonização israelense dos territórios palestinos. 

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