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Marcelo saudado por multidão ao longo de oito quilómetros durante duas horas

Inês Escobar de Lima e Isabel Marisa Serafim

O chefe de Estado português levou duas horas a percorrer este trajeto, pela Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, grande parte do tempo acenando empoleirado na porta da viatura onde seguia acompanhado pela ministra de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa.

Marcelo Rebelo de Sousa também saiu do carro para ir ao encontro da multidão efusiva, provocando grande agitação nas forças de segurança. À sua passagem, pessoas corriam e gritavam “Presi, Presi”, outras agradeciam a sua vinda, ao fim 31 anos sem uma visita oficial de um Presidente português a este país.

Também se ouvia o nome do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, e pedidos de vistos para entrar em Portugal: “Visa, visa”.

Já no final da avenida, artistas cantavam e dançavam num palco improvisado no cimo de um camião, que acompanhou parte do percurso da longa comitiva de Marcelo Rebelo de Sousa, composta por dezenas de viaturas.

O chefe de Estado saiu do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira pelas 20:10 locais (21:10 em Lisboa) e chegou ao destino, uma unidade hoteleira onde o esperavam representantes da comunidade portuguesa na Guiné-Bissau, duas horas depois.

Junto ao hotel, ainda fez um desvio para ir cumprimentar mais pessoas que se concentravam do outro lado da estrada.

Depois, perante os representantes da comunidade portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa pediu desculpa pelo atraso de mais de três horas e disse que procurou “corresponder às expetativas de muitos guineenses” que, no seu entender, queriam ver e contactar mais de perto mais com o Presidente português.

“Eu decidi sacrificar a família próxima – tem sido isso o meu mandato primeiro e o meu começo de mandato segundo – em benefício da família mais ampla. Foi isso que eu fiz”, comparou.

Segundo o chefe de Estado, “para além daquilo que é próprio destas manifestações, e que tem alguma preparação coletiva, havia depois traços espontâneos” e foi “muito emocionante” encontrar “referências múltiplas e expressas a Portugal e aos portugueses” ao longo deste trajeto, desde símbolos futebolísticos a mensagens de antigos combatentes.

“Penso que fiz a diferença para uns milhares de guineenses, e era isso que importava para Portugal, e por isso as compatriotas e os compatriotas me perdoarão por essa longa espera que eu acho que tem justificação”, considerou.

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