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“Impacto da pandemia no mundo do trabalho é quatro vezes maior do que foi em 2008”

Leonídio Paulo Ferreira

Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, esteve no Porto para a cimeira social europeia e analisou os efeitos da covid-19 nos trabalhadores, identificando as mulheres, os jovens e as pessoas com baixos rendimentos como os mais afetados.

Como é que a pandemia causada pela covid-19 está a afetar as classes trabalhadoras na Europa, e também no resto do mundo?

Bom, nós tentamos aliviar os efeitos da pandemia no mundo do trabalho, mas o que posso dizer é que o impacto no mundo do trabalho é quatro vezes maior do que foi em 2008 com a crise financeira. O que é que isto significa? Significa que, de acordo com os nossos estudos, o mundo perdeu o equivalente a 255 milhões de empregos a tempo inteiro no ano passado. Isso não quer dizer que o desemprego tenha aumentado em 255 milhões, na verdade, o desemprego global subiu em 33 milhões. Há 81 milhões de pessoas que saíram do mercado de trabalho e que se tornaram inativas e as restantes trabalham menos horas, no limite não têm horário de trabalho, mas mantêm-se na sua relação de emprego. Se somarmos tudo, chegamos aos 255 milhões que não têm emprego a tempo inteiro – quatro vezes mais do que o que aconteceu em 2008. Em relação às pessoas que trabalham, o rendimento do trabalho caiu em 8,3%. Assim, as pessoas perderam muito com a pandemia.

Vê grandes diferenças entre as várias categorias de trabalhadores, entre os clássicos colarinhos brancos e colarinhos azuis, quem trabalha nos serviços e quem trabalha na indústria?

Em primeiro lugar, o impacto tem sido extremamente desigual para as diferentes categorias de trabalhadores. Assim, as mulheres foram mais duramente atingidas do que os homens; os jovens também foram muito duramente atingidos – é um drama a que devemos prestar mais atenção – e as pessoas com baixos rendimentos foram mais atingidas do que as que têm rendimentos mais elevados. Portanto, se fizer essa distinção entre colarinhos brancos e azuis – não é uma distinção de que nós falemos – há uma coisa que é clara: as pessoas que, pelo trabalho que faziam, tiveram a capacidade de se ajustarem, de fazerem trabalho remoto, de mudarem a forma como trabalhavam, correspondem grosso modo aos trabalhadores de colarinho branco.

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