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China critica reportagem da BBC após convocar embaixadora do Reino Unido

A China voltou hoje a criticar a cadeia televisiva britânica BBC por reportagens sobre o país, após ter convocado a embaixadora do Reino Unido em Pequim por ter publicado um artigo em que defendeu a liberdade de imprensa.

Em comunicado, a embaixada chinesa em Londres revelou ter escrito uma carta à BBC a expressar “forte insatisfação” e a instar a emissora a “abandonar preconceitos, corrigir os seus erros e reportar sobre a China de forma objetiva, justa e equilibrada”.

O ministério dos Negócios Estrangeiros da China convocou, na quarta-feira, Caroline Wilson para consultas, visando protestar contra a publicação de um artigo assinado pela embaixadora na conta oficial da embaixada britânica no Wechat, a rede social mais utilizada na China.

No artigo, Wilson afirmou que as reportagens críticas sobre a China não implicavam ódio ou desrespeito pelo país.

Aqueles que criticam as autoridades chinesas “agem de boa fé” e desempenham “um papel ativo na monitorização das ações das agências governamentais, garantindo que as pessoas tenham acesso a informações precisas e protegendo aqueles que não têm voz”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian disse na quarta-feira que o artigo de Wilson refletia os seus “preconceitos ideológicos”.

Zhao acusou Wilson de ignorar a alegada supressão sofrida pela imprensa chinesa no Ocidente e de elogiar a “experiência ocidental num tom arrogante”.

Wilson respondeu no Twitter: “Eu mantenho o meu artigo. Sem dúvida, o embaixador chinês que está de saída do Reino Unido defende os mais de 170 artigos que esteva livre para publicar na imprensa britânica”.

As relações entre China e Reino Unido deterioraram-se no último ano, depois de Pequim ter imposto uma controversa lei de segurança nacional e limitado a participação de membros pró-democracia no conselho legislativo de Hong Kong.

O Reino Unido condenou a repressão sobre as liberdades civis na antiga colónia britânica, incluindo a nova legislação aprovada pelo parlamento chinês para eliminar a possibilidade de críticos do governo concorrerem a cargos públicos na região semiautónoma.

Dezenas de ativistas foram presos e a liberdade de expressão e de reunião severamente restringidas, aparentemente traindo o compromisso da China de permitir que Hong Kong mantivesse as suas liberdades durante um período de 50 anos, após a transferência da soberania, do Reino Unido para a China.

No comunicado, a embaixada da China destacou uma reportagem da BBC, difundida esta semana pela Radio 4 e intitulada “O Dragão da Desinformação”.

A reportagem fez “acusações infundadas contra a China em questões relacionadas com a covid-19 e a diplomacia, entre outras”.

“A China valoriza profundamente a harmonia. Nunca fomos nós que iniciámos provocações e não temos intenção de intervir nos assuntos internos de outros países. São os outros países que continuam a intrometer-se nos nossos assuntos internos e a difamar a China”, lê-se na mesma nota.

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