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Indústria aérea japonesa a lutar pela sobrevivência

Liu Chunyan

A atual pandemia tem deixado um grande impacto na indústria aérea global, e naturalmente o Japão não é exceção.

A ANA Holdings, empresa-mãe da maior companhia aérea japonesa, a All Nippon Airways (ANA), anunciou que devido à grande quebra na procura a nível nacional e internacional, estima atingir ao longo deste ano fiscal o maior prejuízo de sempre, com perdas líquidas de 510 mil milhões de ienes (cerca de 4,9 mil milhões de dólares norte-americanos). Este valor é quase dez vezes superior ao anterior maior prejuízo, registado em 2009, quando as perdas da companhia atingiram, os 53,7 mil milhões de ienes devido à crise financeira internacional. 

A rival Japan Airlines também anunciou a previsão de perdas líquidas entre os 240 e os 270 mil milhões de ienes. 

Com o efeito da pandemia, a indústria aérea japonesa está a ter dificuldades em reduzir custos e sobreviver. A ANA tem planos de cortar o salário de 15.000 funcionários e anular o bónus de final de ano. Incluindo os anteriores cortes salariais e os subsídios de férias, os funcionários da ANA vão, em média, ver os respetivos salários reduzidos em 30 por cento durante este ano fiscal. Para cortar custos de mão-de-obra, a companhia prevê ainda reduzir o salário de 3.500 funcionários até ao ano fiscal de 2022.

A empresa decidiu ainda suspender o plano de expansão de rotas aéreas e anunciou recentemente a reforma antecipada de 35 aeronaves em 2020.

Por outro lado, devido a uma já longa escassez em recursos humanos na indústria aérea japonesa, mesmo com as atuais dificuldades causadas pela pandemia, as companhias aéreas locais continuam a tentar evitar lay-offs e a proteger o pessoal mais experiente. 

Durante o início deste declínio, estas companhias aéreas adotaram um sistema de rotação de funcionários. Com a evolução e crescimento da pandemia tem sido cada vez mais comum ceder alguns dos empregados a outras indústrias e organizações que sofrem com falta de pessoal. A Japan Airlines prevê ainda que, mesmo após o fim da pandemia, a indústria demore a regressar aos níveis de procura nacional e internacional registados no período pré-pandemia. 

Uma das saídas para a melhoria do grau de utilização da indústria, passa pela expansão do turismo nacional. Por isso a JAL decidiu ajudar várias regiões do país a desenvolver o turismo e a impulsionar a procura a nível nacional. 

Os media locais têm noticiado que a empresa está ainda a considerar enviar funcionários com menor carga horária para várias regiões do país onde poderão ajudar a melhorar os serviços turísticos locais através de formação e intercâmbio. 

Estas medidas destinam-se não só a ajudar a promover o desenvolvimento do turismo local, como a oferecer também aos funcionários da empresa um maior conhecimento sobre estes destinos. Além de encorajar os funcionários a abandonar a empresa ou a seguirem para a reforma de forma voluntária, estão suspensas novas contratações, decorrendo negociações com várias empresas como a Toyota para transferência de alguns funcionários e redução temporária de pessoal. A empresa admitiu que o impacto da pandemia é muito superior ao anteriormente esperado, especialmente quando ainda não existe forma de prever quando algumas rotas internacionais irão ser retomadas. Daqui para a frente irão por isso reduzir a dependência em atividades aéreas, alargando e diversificando o mercado. 

A Japan Airlines está igualmente a desenvolver novas fontes de crescimento. No final do mês de setembro, a empresa anunciou que tinha estabelecido um acordo de cooperação com a empresa americana de drones, Matternet, para explorar o mercado de entregas com veículos não tripulados no Japão, criando um serviço expresso de entrega de bens médicos com drones.

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