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Diplomatas estrangeiros garantem que viagem à Amazónia será inicio de diálogo com Brasil

O embaixador da África do Sul no Brasil garantiu, na quinta-feira, em nome de 12 diplomatas estrangeiros, que a viagem organizada pelo Governo brasileiro à Amazónia será o início de um diálogo com o país sul-americano.

“Eu não estou a fazer este discurso em nome de todos (os diplomatas), mas todos aqui estamos de acordo de que vamos começar, sim, um diálogo (com o Brasil). Também posso dizer-vos que entendemos este convite como uma chamada para consolidar, fortalecer e para começar, se ainda não tivermos começado, relações e amizades sobre a Amazónia”, disse o embaixador Joseph Mashimbye, numa conferência de imprensa em Manaus, na noite de quarta-feira.

Mashimbye é um dos 12 diplomatas e representantes de vários países, incluindo Portugal, e organizações que participam numa viagem de três dias à Amazónia brasileira a convite do Governo do Presidente, Jair Bolsonaro, para dar a conhecer a extensão da maior floresta tropical do mundo e a área preservada.

Em conferência de imprensa, na quarta-feira, em Manaus, vários ministros de Estado brasileiros fizeram um balanço da viagem, que vai no segundo dia, e coube ao embaixador da África do Sul dar a sua perspetiva sobre a iniciativa do executivo de Bolsonaro.

“Todos os países aqui presentes querem iniciar parcerias na Amazónia. Esta floresta é um local como nenhum outro em todo o mundo. (…) Podemos todos concordar que as mudanças climáticas são a maior problema que a humanidade enfrenta neste século. Sabemos que globalmente, os ativos naturais estão sob uma ameaça em precedentes devido à degradação do solo, desflorestação, desertificação, perda da biodiversidade, secas, o que destrói o ambiente, mas também leva a uma significativa disrupção social e económica”, avaliou Mashimbye.

Além do embaixador da África do Sul, foram convidados pelo Governo brasileiro diplomatas da Alemanha, Canadá, Colômbia, Espanha, França, Peru, Portugal, Reino Unido e Suécia, além de representantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazónica e da UE.

Portugal está representado pela encarregada de negócios da embaixada em Brasília Sandra Magalhães.

Já a comitiva brasileira é chefiada pelo vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, que lidera o Conselho Nacional da Amazónia Legal, entidade que coordena diversas ações direcionadas para a preservação da floresta, e integra os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tereza Cristina (Agricultura) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

Como africano, o embaixador Joseph Mashimbye frisou que o seu continente entende “muito bem” os desafios que o Brasil enfrenta em relação à Amazónia, visto que é em África que estão localizadas 18% de todas as florestas tropicais do mundo, inclusive a segunda maior do planeta, a floresta do Congo.

Mashimbye afirmou compreender as dificuldades de monitorizar e fiscalizar as áreas mais densas da Amazónia, que ao todo possui cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

“Senhores e senhoras, em termos simples, a conservação dos nosso recursos naturais não é igual a não desenvolver. (…) Respeitamos os direitos de soberania dos países sobre os seus próprios recursos biológicos e a necessidade de contemplarem as suas prioridades, na ordem que julgarem melhor, do ponto de vista de desenvolvimento socioeconómico e de erradicação da pobreza”, acrescentou o diplomata, congratulando o “excelente trabalho” desenvolvido por Hamilton Mourão nas operações de fiscalização da Amazónia.

“Como o vice-Presidente Mourão disse, inclusividade significa integrar todas as partes interessadas, como mulheres, indígenas, juventude, sociedade civil…não podemos deixar ninguém para trás. Gostaria de concluir como um provérbio africano: se você quiser ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá acompanhado”, concluiu Mashimbye.

A viagem de diplomatas estrangeiro à Amazónia brasileira termina hoje, com uma visita a São Gabriel da Cachoeira, um município localizado interior do estado do Amazonas e que tem a maior predominância de indígenas do Brasil.

A missão do executivo de Bolsonaro foi planeada com o intuito de mudar a imagem negativa do Brasil no exterior, principalmente em países que pedem uma maior proteção florestal e de fiscalização contra desflorestação e queimadas, que bateram recordes este ano.

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