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Casos sobem sem parar. SNS preparado para transferir utentes para o privado

Marta Temido revelou que o máximo de doentes covid-19 hospitalizados em cuidados intensivos deve ser atingido já esta semana. A 4 de novembro será o pico, com mais de 3000 hospitalizados, 444 nos cuidados intensivos. Neste contexto, o governo está ” preparado para “reencaminhar utentes para os setores privado e social”.

No dia em que o presidente da República recebeu em audiência três ex-ministros da Saúde – terça-feira recebe mais dois -, Marta Temido veio a público em conferência de imprensa, só com presença de jornalistas da RTP e da Lusa, esclarecer os números relativos à capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e alertar que as estimativas do seu ministério apontam para um “aumento do número de hospitalizações e de óbitos”, com o pico destas projeções a ser atingido a 4 de novembro (data até à qual vai a estimativa).

Como a capacidade do SNS não é infinita a ministra da Saúde diz que será “iniciado um trabalho de proximidade” para o encaminhamento de doentes não covid para os setores privado e social quando a assistência no SNS tiver que ser desprogramada.

“A situação em Portugal é complexa, é grave”, reafirmou Marta Temido, sempre de máscara colocada no rosto, revelando projeções do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) que indicam um pico de casos na próxima semana. A 4 de novembro a estimativa é que estejam internados em enfermaria 2.634 doentes e 444 em UCI. A ministra disse que já esta quarta-feira, deverá ser ultrapassado o máximo de doentes hospitalizados nos cuidados intensivos registado na primeira vaga, que foram 271.

Marta Temido justificou este aumento com o crescimento do número de novos casos registado nas últimas semanas, que incidiu particularmente sobre as pessoas com idades entre os 20 e os 39 anos e com mais de 85 anos. “Quero, por exemplo, destacar que na semana de 12 a 18 de outubro foram ultrapassados os máximos em quase todos os grupos etários em termos de novos casos e a taxa de notificação do grupo de mais de 85 anos ultrapassou o máximo observado na semana de 20 a 26 de abril, uma das semanas mais complicadas”, detalhou.

Os efeitos desta incidência nos mais velhos já se começou a fazer sentir nos hospitais, tendo-se registado nos últimos dias um aumento contínuo no número de internamentos, e a expectativa é para que a tendência se mantenha. “Dada a fragilidade dos indivíduos deste grupo etário, considera-se que esta situação pode levar a um aumento das hospitalizações e mesmo dos óbitos nas próximas semanas”, reconheceu Marta Temido.

Alertando que a “transmissão do vírus está a acontecer a um nível preocupante”, Marta Temido não descarta que novas medidas restritivas sejam impostas, especialmente a nível regional, como já acontece em três municípios do Vale do Sousa: Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras.

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