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Principais prémios do IndieLisboa para “A Febre” e “O Fim do Mundo”

Lusa

O filme “A Febre”, da realizadora brasileira Maya Da-Rin, e a produção portuguesa “O Fim do Mundo”, do luso-suíço Basil da Cunha, venceram, respetivamente, as competições Internacional e Nacional de longas-metragens do festival IndieLisboa.

“A Metamorfose dos Pássaros”, de Catarina Vasconcelos, teve o prémio de Melhor Realização, no palmarés divulgado hoje, na sessão de encerramento das sessões competitivas, a decorrer na Culturgest, e “Victoria”, produção belga de Isabelle Tollenaere, Liesbeth De Ceulaer e Sofie Benoot, conquistou o Prémio Especial do Júri.

O Grande Prémio de Curta-metragem foi para a produção francesa “Tendre”, de Isabel Pagliai, enquanto “Meine Liebe”, de Clara Jost, recebeu o prémio de melhor ‘curta’ portuguesa.

“A Febre”, que conquista o Grande Prémio Cidade Lisboa, atribuído ao vencedor da principal secção competitiva, desenrola-se em Manaus, nas margens do Amazonas, e tem um guarda do porto de origem indígena por protagonista. O filme marca o regresso à Amazónia da realizadora nascida há 41 anos, no Rio de Janeiro, depois de produções como “Terras” e “Margem”.

Para o argumento de “A Febre”, Maya Da-Rin contou com o investigador Pedro Cesarino, vencedor do Prémio Jabuti de Ciências Humanas, que viveu com o povo Marubo, do Amazonas, e com o cineasta português Miguel Seabra Lopes, autor e coautor de filmes como “Num País Estrangeiro”, “Talvez Deserto, Talvez Universo” e “O Tejo de Alves Redol”.

Para o júri da competição internacional, “A Febre” faz uma abordagem “muito conseguida da situação difícil que os indígenas enfrentam no Brasil contemporâneo”.

O júri da competição internacional foi composto pela programadora da Cinemateca Francesa Acroline Maleville, pela curadora Cristina Nord e pelo ativista Mamadou Ba, dirigente da associação SOS Racismo, especialista em Língua e Cultura portuguesas.

Em “Victoria”, Prémio Especial do Júri, a decisão destaca a capacidade de ir além da abordagem documental, seguindo, com “complexidade e beleza”, o dia-a-dia de um jovem negro de Los Angeles. O prémio traduz-se na compra dos direitos para Portugal, pelos canais TV Cine.

“O Fim do Mundo”, de Basil da Cunha, que o festival de Locarno selecionou para competição, em 2019, recebeu o Prémio Allianz de Melhor Longa Metragem Portuguesa e também o Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme Português, da Pastoral da Cultura.

O júri destacou a capacidade de o filme fazer uma “acusação clara e direta a um sistema injusto”, através de uma história de amizade nos “tempos sombrios e obscuros” que se vive atualmente.

Sobre “A Metamorfose dos Pássaros”, primeira longa-metragem de Catarina Vasconcelos, o júri nacional destacou “a maneira muito terna e comovente” de lidar com as relações familiares, “o amor e a ausência”.

Estreado no festival de Berlim, em fevereiro passado, onde recebeu o Prémio da Crítica Internacional, este filme conquista o prémio de realização, uma semana depois de ter vencido a competição do Festival de Pesaro, em Itália.

O júri da competição nacional foi composto pela distribuidora Louise Rinaldi, o realizador e produtor Michael Wahrmann e a fundadora do festival FilmaMadrid Nuria Cubas.

A secção Silvestre, dedicada a filmes “cuja rebeldia espelhe o espírito do festival”, distinguiu o cinema brasileiro e “a sua vitalidade […], num momento em que se encontra gravemente ameaçado”.

Nesta secção, o prémio de melhor ‘longa’ foi, em ex-aequo, para “Breve Miragem do Sol”, de Eryk Rocha, e “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, enquanto o de melhor ‘curta’ foi para “Apparition”, de Affonso Uchôa.

A curta-metragem libanesa “Douma Underground”, do realizador de origem síria Tim Alsiofi, recebeu os prémios de Melhor Documentário e da Amnistia Internacional.

“This is more”, do francês Nicolas Gourault, foi escolhida como melhor ‘curta’ de Animação, e a coprodução sinofrancesa “Shanzhai Screens”, de Paul Heintz, como melhor ‘curta’ de Ficção.

O Prémio Novo Talento foi para “Corte”, de Bernardo e Afonso Rapazote, e a Competição Novíssimos, para jovens cineastas, distinguiu “Contrafogo”, de Carolina Vieira, e, com uma menção honrosa, “Nestor”, de João Gonzalez.

O prémio IndieMusic foi dado aos documentários “Keyboard Fantasies” e “White Riot”.

Os prémios atribuídos pelo público do festival permanecem em votação até ao final de domingo.

A 17.ª edição do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema, que costuma realizar-se entre abril e maio, teve início em 25 de agosto, com uma seleção de mais de 200 filmes, e encerrou hoje a secção competitiva.

O festival vai exibir os filmes vencedores, entre domingo e quarta-feira, no Cinema Ideal, em Lisboa.

Na Cinemateca Portuguesa, continuam até sexta-feira os ciclos do festival dedicados ao realizador senegalês Ousmane Sembène e aos 50 anos do Fórum do Festival de Berlim.

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