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Kamala Harris acusa Trump de viver numa “realidade diferente” face ao racismo

A candidata pelo Partido Democrata à Vice-presidência dos Estados Unidos, Kamala Harris, acusou hoje o Presidente Donald Trump de viver numa “realidade diferente”, devido à rejeição da existência de racismo institucional no país.

Para a ‘número dois’ do candidato presidencial democrata Joe Biden, o chefe de Estado e o procurador-geral, William Barr, “passam todo o seu tempo numa realidade diferente” e há “dois sistemas jurídicos diferentes”: um para os negros e outro para os brancos.

Kamala Harris fez história ao tornar-se na primeira mulher de ascendência negra e indiana a aceitar a nomeação como candidata a vice-presidente dos Estados Unidos por um grande partido, com vista às eleições presidenciais de 03 de novembro.

No entanto, a atual senadora pelo estado da Califórnia chegou a ser criticada por ter alegadamente sido muito dura com as minorias quando era procuradora naquele estado antes de ser eleita para o Senado, em 2017.

“Existem desigualdades raciais nos Estados Unidos e um sistema que participou no racismo, em termos de aplicação da lei. Não nos serve de nada negá-lo. Precisamos de falar sobre isso, sejamos honestos”, sublinhou a senadora, de 55 anos.

Durante uma visita esta semana ao estado do Wisconsin– que regista tensões raciais desde que Jacob Blake, um afro-americano, foi alvejado sete vezes nas costas por um polícia, encontrando-se nos cuidados intensivos e paralisado -, Donald Trump recusou-se a falar de racismo quando foi questionado por um jornalista.

“Volta sempre ao tema oposto. Devemos falar de violência”, respondeu o Presidente norte-americano a propósito das inúmeras manifestações antirracistas dos últimos meses no país.

Simultaneamente, William Barr defendeu numa entrevista esta semana que a Justiça é a mesma para todos os cidadãos dos Estados Unidos e sublinhou que “é preciso ter cuidado quando se levanta a ideia de racismo”, por considerar que “não é tão comum como as pessoas dizem”.

Jacob Blake, 29 anos, foi atingido a tiro em 23 de agosto. O caso desencadeou protestos que tornaram o Wisconsin centro do debate por todos os Estados Unidos da América sobre violência policial e injustiça racial.

O debate, e os protestos por todo o país, foram desencadeados pelo caso de George Floyd, um afro-americano que morreu asfixiado por um polícia branco em maio passado, em Minneapolis.

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