Fabio Bucciarelli vence prémio "Visa d'or" por imagens da pandemia

Fabio Bucciarelli vence prémio “Visa d’or” por imagens da pandemia

O fotógrafo italiano Fabio Bucciarelli venceu, este sábado (5), o Visa d’or News, o prémio de maior prestígio do festival internacional “Visa pour l’Image” realizado em Perpignan, no sul da França, com as suas imagens de Bérgamo, cidade do extremo norte da Itália fortemente atingida pela pandemia de coronavírus. 

O “Visa pour l’image”, considerado o evento de fotojornalismo mais importante do mundo, também premiou o americano Bryan Denton, na categoria “magazine”, por ter imortalizado as secas e inundações que atingiram a Índia devido às mudanças climáticas durante seis meses. 

Ambas reportagens fotográficas foram publicadas pelo New York Times. 

Bucciarelli, de 40 anos, recebeu a medalha de ouro do prêmio Robert Capa de fotografia de 2013 por uma reportagem em Aleppo, na Síria em guerra.

Este ano, esteve na linha de frente quando seu país se tornou o primeiro na Europa a ser severamente punido pela pandemia de covid-19 e trabalhou dentro de uma equipe da Cruz Vermelha, usando o mesmo equipamento de proteção que o pessoal da saúde, para imortalizar o ruas de Bérgamo.

Nesta cidade do norte da Itália, Bucciarelli fotografou o sofrimento dos enfermos em seus leitos, funerais e hospitais lotados nas primeiras semanas da epidemia.

“Não queria fotografar lugares vazios, pessoas com máscaras. Queria entrar na intimidade dos doentes, ir até suas casas”, explicou o fotojornalista à AFP, “honrado” por receber a distinção do festival que frequenta todos os anos. 

O que o fotógrafo queria captar “é o vírus da solidão, que é a pior faceta dessa doença”, explicou Bucciarelli.

“É um trabalho com uma força incrível”, avaliou o diretor histórico do “Visa pour l’image”, Jean-François Leroy. 

Os finalistas na categoria mais importante deste festival internacional, “Visa d’or News”, foram o fotógrafo da AFP Nicolas Asfouri, por suas imagens das manifestações em Hong Kong, e Peter Turnley, por uma série de fotografias sobre a covid-19 em Nova York.

O prêmio na categoria imprensa diária foi para Rosem Morton, uma enfermeira americana que se dedicou à fotografia após ser estuprada, uma espécie de fototerapia para “sobreviver”.

Suas fotos em preto e branco foram publicadas pela CNN.com. 

O fotógrafo da AFP Anthony Wallace recebeu o prêmio Rémi Ochlik por sua reportagem fotográfica sobre o levante popular em Hong Kong. 

O festival foi mantido apesar da pandemia de covid-19, embora sem a efervescência das 31 edições anteriores, devido à ausência de muitos profissionais e à tradicional cerimônia de entrega de prêmios.

Artigos relacionados
CulturaMacau

Fotógrafo macaense José das Neves expõe no Canadá, Alemanha e Escócia

CulturaMacau

Edgar Martins finalista de vários prémios internacionais de fotografia

LifestyleMundo

O abraço de um tigre a uma árvore garantiu o prémio de melhor fotógrafo de Vida Selvagem

CulturaMacau

Trabalho fotográfico de Gonçalo Lobo Pinheiro integra projecto “The Other Hundred”

Assine nossa Newsletter