Excessos da Polícia podem baixar Angola no ranking dos direitos humanos

Excessos da Polícia podem baixar Angola no ranking africano dos direitos humanos

As constantes mortes perpetradas pela Polícia Nacional, durante a vigência do Estado de Emergência e do Estado de Calamidade Pública, contra cidadãos indefesos, sendo a mais recente no bairro Prenda, em Luanda, poderão pesar na classificação de Angola no ranking da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, de que Angola é membro

O alerta é da Coordenação do Conselho dos Direitos Humanos (CCDH), que chama a atenção, sobretudo às autoridades policiais, sobre o uso desproporcional da força dos seus efectivos, que, em cumprimento da sua missão, têm vindo a matar cidadãos, sob alegação de legítima defesa ou homicídios involuntários.

O director executivo do CCDH em Angola, Tunga Alberto, questionou as razões que levam um polícia a disparar mortalmente contra um cidadão indefeso, que, geralmente, não coloca em risco o agente que o interpela, ou as pessoas que o rodeiam.

O responsável reagia à notícia da morte recente de um jovem de 24 anos, assassinado por um agente da Polícia Nacional, no bairro Prenda, em Luanda, quando tentava escapar-se de uma patrulha para não ser interpelado, tendo sido atingido mortalmente. Na ocasião, um outro jovem sofreu ferimentos ligeiros.

O activista disse ser incompreensível o número de mortes já causadas na vigência dos estados de Emergência e de Calamidade Pública, que vigora desde o dia 26 de Maio do ano em curso. Falando a OPAÍS, Tunga Alberto deplorou o facto de as vítimas serem maioritariamente jovens e as justificações dos autores serem quase as mesmas em todas as províncias onde já ocorreram mortes, ou seja, em Luanda, Cabinda, Huíla, e Benguela.

Para a fonte, a legítima defesa não pode continuar a ser pretexto para se justificar mortes de cidadãos indefesos, ou excesso de zelo, por os números estarem a subir vertiginosamente.

“Na maior parte das vezes que ocorrem estas mortes, a Polícia Nacional, através do seu porta-voz, diz que o autor fez disparo em legítima defesa, mas contra um cidadão indefeso”, indignou-se.

O mais agravante no meio deste pretexto, de acordo com o activista, é o facto de a própria Polícia nunca apresentar publicamente os autores destes crimes, para moralizar a sociedade, e, sobretudo, os familiares das vítimas.

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