Universitários pagam a explicadores para realizar exames no seu lugar - Plataforma Media

Universitários pagam a explicadores para realizar exames no seu lugar

Com grande parte da avaliação a ser realizada à distância, nos últimos tempos, alguns centros de estudo e explicadores têm recebido propostas de alunos que estão dispostos a pagar altas quantias para que um professor faça o exame por eles. FAP diz desconhecer casos e lembra que as instituições trabalham para evitar estes riscos.

Num ano atípico na educação em Portugal, só os alunos do ensino secundário e do ensino superior não escaparam aos exames a que habitualmente estão sujeitos. Contudo, para os universitários, o modelo escolhido e viável para a realização da maioria das provas (que não são nacionais, ao contrário do ensino secundário e são definidas por cada instituição) foi o online. Um modelo que facilitou a oportunidade de vários estudantes pedirem e até pagarem para que algum professor externo respondesse às questões no seu lugar. O fenómeno é denunciado por alguns centros de explicações, que dizem ter recebido várias propostas neste sentido nos últimos meses.

A partir de maio, na mesma altura em que as instituições começaram a regressar lentamente ao ritmo do ensino presencial, com aval para reabrir portas às aulas práticas, “não sendo todos os dias, praticamente todos os dias me contactaram para isto”. Sempre por telemóvel, através de uma chamada ou de uma mensagem, inicialmente apenas para estudar o terreno. “Perguntavam se dava explicações, mas quando começava a explicar melhor em que consistia, eles caíam em si e diziam mesmo: ‘Não era bem explicações que queria, mas ter um professor a ajudar-me a resolver o teste na hora’.” Quem o conta é Maxime Ventura, 34 anos, dono de um centro de explicações no centro da cidade do Porto.

As propostas foram-se multiplicando. Numa conversa com a colega de profissão Leonor Sousa, 53 anos, Maxime percebeu rapidamente que o fenómeno estava a generalizar-se. Com a crise à porta, Leonor tem passado dias difíceis, sobretudo vazios no centro de estudos que gere há 15 anos, na Boavista. Desde que reabriu as salas, poucos foram os que voltaram e “novos só dois alunos do ensino superior”. Estes, diz, chegam para apoio ao estudo de determinadas unidades curriculares, mas a maioria “procura sobretudo é quem lhes faça os exames”.

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