Sócrates nega encontros com Manuel Vicente, o ex-vice angolano

Sócrates nega encontros com Manuel Vicente, o ex-vice Presidente angolano

Defesa do ex-primeiro-ministro português nega encontros com antigo vice-Presidente angolano. Entre outros crimes, José Sócrates é acusado de receber 34 milhões de euros para facilitar negócios também em Angola

O antigo primeiro-ministro socialista é acusado de ter recebido cerca de 34 milhões de euros para favorecer interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado, do grupo Espírito Santo, que tinha fortes ligações com Angola através do extinto BESA. O montante terá sido transferido entre 2006 e 2015. Ainda assim, Sócrates negou todas as acusações que pendem sobre si.

A acusação alega que Sócrates terá realizado viagens a Angola e encontrado o ex-vice-Presidente Manuel Vicente para abrir portas ao Grupo Lena – uma holding com atuação em diversos segmentos.

O Lena é um dos maiores grupos empresariais de Portugal à época, era administrado por Joaquim Barroca – também arguido na Operação Marquês. Segundo os promotores, a suposta articulação de Sócrates para favorecer o Grupo Lena poderia ter resultado em “luvas” para o ex-chefe de Governo.

Delille negou que a viagem teria acontecido e disse que o encontro de Sócrates com Vicente não aconteceu. “Está enganado”, disse o defensor em respostas lacónicas à reportagem da DW África.

A notícia da DW recorda que a visita a Angola teria ocorrido no âmbito da diplomacia económica “para criar uma boa impressão”, considerando que “Angola sempre foi uma prioridade na política externa portuguesa”. No entanto, no seu depoimento na fase de instrução, Sócrates classificou a acusação de “monstruosa, injusta e completamente absurda”.

Outro dos arguidos no processo que envolve José Sócrates é o empresário luso-angolano Hélder Bataglia, acusado de crimes de branqueamento, falsificação de documentos e fraude fiscal.

Bataglia é assistido por Rui Patríco – advogado que também defendeu Manuel Vicente no âmbito da já encerrada “Operação Fizz”. Contudo, na audiência da passada sexta-feira, o defensor garantiu que Bataglia é inocente. Para Patrício, os tribunais portugueses não são competentes para julgar o empresário, uma vez que os factos não teriam ocorrido em Portugal.

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