Na corrida pela vacina "é muito difícil fazer promessas” - Plataforma Media

Na corrida pela vacina “é muito difícil fazer promessas”

Farmacêutica Inovio foi uma das primeiras a iniciar os trabalhos de pesquisa para uma vacina contra a Covid-19. Em conversa com o Plataforma, a multinacional norte-americana revela-se esperançada numa solução a curto prazo.

7,5 mil milhões de humanos esperam por uma boa notícia. E essa boa notícia, em tempos de pandemia de Covid-19, passa mesmo pela descoberta de uma vacina para acabar com um vírus que já matou mais de 300 mil pessoas e infetou cerca de cinco milhões. O mundo todo está, literalmente, à espera. E são muitas as farmacêuticas que trabalham há meses nesse sentido, algumas com mais avanços que outras. Umas dessas é a Inovio, farmacêutica norte-americana que começou os testes em janeiro, e que em conversa com o Plataforma revelou os avanços da vacina tão esperada e desejada. As notícias são positivas e encorajadoras, tanto que já se batem recordes no que à concepção de vacinas diz respeito.

O laboratório da Inovio, em San Diego, na Califórnia foi um dos primeiros a avançar para o desenvolvimento da vacina, sendo que logo no início do ano os cientistas da farmacêutica apontaram o início do verão para a realização dos testes em humanos. A INO-4800, nome dado à vacina, contudo, começou a ser administrada em humanos mais cedo que o esperado e os primeiros resultados são animadores. Quanto a prazos para a conclusão da mesma, esses ainda não estão definidos

“É muito difícil fazer promessas. Infelizmente, ninguém pode garantir sucesso. No entanto, na Inovio estamos muito confiantes, até devido à vasta experiência com a nossa vacina contra a MERS (outro coronavírus que também testámos em humanos) e aos dados que já temos dos testes em animais com a INO-4800”, salientou a Inovio ao Plataforma, estando agora à espera dos primeiro resultados em humanos. “Começamos o nosso estudo de Fase 1 no dia 6 de abril e matriculamos todos os 40 indivíduos em 17 dias. Esperamos obter dados de leitura antecipada nas primeiras semanas de junho”, referiram.

Neste momento há um total de “110 vacinas que estão a ser testadas em todo o mundo”, sendo que dessas apenas oito “avançaram muito e entraram em testes clínicos em humanos”. Há assim ainda muito trabalho pela frente, mas a esperança é muita, até porque do lado da Inovio não há registo de progressos tão rápidos em outra qualquer vacina.

“Na Inovio, estamos a trabalhar incansavelmente para atingir os nossos objetivos o mais rapidamente possível e já obtivemos enorme sucesso ao levar a vacina, como costumamos dizer, do banco para a cama (isto é, para a clínica) em apenas 83 dias. Esta é uma velocidade sem precedentes para nós, estamos otimistas”, assinalaram.

Uma vacina, dita tradicional, e em termos históricos, “leva entre três a 10 anos para se desenvolver”. Os laboratórios que procuram encontrar uma solução para a Covid-19, contudo, sabem que esta é uma pandemia sem precedentes nos últimos anos, pelo que também eles aceleram processos para fazerem face à pressão do público e até dos governos.

“Sabemos que existe essa pressão, que todos querem que se chegue a uma solução para a vacina o mais rápido possível, mas isso também faz todo o sentido devido à situação crítica em que a pandemia tem o mundo neste momento. Acreditamos que a segurança da vacina é primordial e que todas as verificações e equilíbrios implementados pelas autoridades reguladoras são essenciais. No entanto, existem processos e revisões que foram reduzidos para garantir um processo mais rápido para esta vacina”, confidenciou a Inovio.

Teste em larga escala no verão

À espera dos primeiros resultados em humanos, a Inovio já projeta também o futuro imediato da vacina, concretamente a segunda fase dos testes da mesma, que perspetivam “em larga escala”. “Se os resultados da primeira fase forem positivos, como estamos à espera que sejam, usaremos esses mesmos dados para abordar a FDA (Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) no sentido de avançarmos para um estudo de larga escala da fase 2/3 neste verão”, referiram, salientando logo depois para que servirão esses testes em “larga escala”:

“Os estudos da fase 1 avaliam a segurança e a imunogenicidade da vacina, realizando exames de sangue dos indivíduos. Os ensaios de fase posterior (Fase 2/3) farão a pergunta: “a vacina protege os infectados do vírus ou de contraírem a doença?”.

Vacina disponível para todos ao mesmo tempo

Um outro laboratório que está a trabalhar numa solução para a vacina é a francesa Sanofi. Esta farmacêutica, no entanto, já causou alguma polémica há umas semanas quando pretendeu dar prioridade aos Estados Unidos no uso da vacina. Essa ideia, contudo, caiu por terra e é isso também que defende a Inovio, financiada por Bill Gates, uma vacina para todos e ao mesmo tempo.

“Primeiro que tudo, temos de estar gratos aos financiadores do programa, cuja assistência foi fundamental para a velocidade com que conseguimos atuar. E, tal como eles, também nós estamos comprometidos em garantir que a nossa vacina tenha acesso global. Aliás, estamos mesmo a expandir a nossa rede de produção para garantir que esta seja produzida não só nos EUA como em todo o mundo.

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