O português de Portugal e o português do Brasil vistos, na prática, por um português de Portugal que se tornou um português no Brasil. Complicado? Esta relação também é – sempre foi.
Uma das pequenas irritações que um português a morar no Brasil sente no dia-a-dia é ligar a televisão e ouvir um filme de Hollywood, ou de outro lugar que o valha, dobrado – dublado – em português local.
Por isso, num destes dias, senti, num zapping qualquer, uma genuína satisfação ao ver, finalmente, as por aqui tão raras legendas a acompanhar uma fita.
Mas logo veio a desilusão; não era uma fita qualquer, era Tabu, o portuguesíssimo filme do portuguesíssimo Miguel Gomes, falado num portuguesíssimo sotaque de Lisboa.
Que país é este – e que estranha relação tem com o português europeu – que precisa dublar um filme falado numa outra versão da mesma língua?
A explicação começa, claro, pela fonética do português europeu, com vogais fechadas e um chiado permanente de esses, de jotas e de cês falado a alta velocidade, de facto difícil para quem não o conheça – e é aqui no “não o conheça” que está a chave.
João Almeida Moreira
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