Príncipe já é membro oficial do Fórum de Macau

por Arsenio Reis

A adesão à estrutura de cooperação sino-lusófona  foi oficializada na última quarta-feira pelo grupo dos oito, que agora passam a nove. 

São Tomé e Príncipe é desde a última quarta-feira membro de pleno direito do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujos membros aprovaram a adesão do país após o restabelecimento de reações diplomáticas entre Príncipe e Pequim. 

O coordenador do Gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Djazalde dos Santos Aguiar, foi o representante convidado à oficialização da adesão que ocorre depois de o país africano ter renunciado às relações diplomáticas com Taiwan no final do ano passado. O responsável do Príncipe não prestou quaisquer declarações à imprensa, numa altura em que está por nomear o delegado do país na organização.

“É um convidado especial que participou na reunião ordinária. No futuro, será decisão do Governo de São Tomé e Príncipe indicar um delegado”, explicou Xu Yingzhen, secretária-geral da estrutura local do Fórum de Cooperação. A responsável afirmou porém que, sendo já membro oficial da estrutura, o país poderá integrar todas as atividades desta – inclusivamente, candidaturas a financiamento junto do Fundo para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Mas ressalvou que a estrutura funciona de forma multilateral e implica decisões tomadas por todos.

“Sempre mantemos a porta aberta para que São Tomé e Príncipe possa apresentar-nos propostas e ideias, mas é necessária a discussão de todos para decidir quais as atividades que vamos desenvolver. As atividades são para o bem de todos”, afirmou Xu Yingzhen, quando questionada sobre a possibilidade de a China suprir por via do Fórum de Macau os apoios ao desenvolvimento de São Tomé e Príncipe antes angariados pelo país junto de Taiwan.

O Governo do Príncipe anunciou a 21 de Dezembro do ano passado o fim do reconhecimento diplomático do Governo de Taipé, retomando as relações diplomáticas com a China, interrompidas 1997.

Apesar de só no final do ano passado terem sido restabelecidas as relações diplomáticas entre a República Popular da China e São Tomé e Príncipe, Pequim mantém desde 2013 uma missão comercial no país, sendo também a China um dos principais mercados das importações são-tomenses. São Tomé e Príncipe tem também vindo a tomar parte em algumas reuniões de nível ministerial do Fórum de Macau na qualidade de observador convidado.

A partir de agora, passará também oficialmente a integrar o conjunto dos países de língua portuguesa com assento na estrutura para-diplomática que tem sede em Macau e que, regularmente, organiza missões comerciais e ações de formação. Os países-delegados do Fórum tem também a possibilidade de apresentar projetos de investimento ao Fundo para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, atualmente localizado em Pequim, mas que em breve passará a ter sede em Macau.

A secretária-geral Xu Yingzhen indicou ontem que a transferência da sede do fundo deverá acontecer durante os próximos três meses. “O fundo é gerido pelo Banco Chinês de Desenvolvimento. O Secretariado está a acompanhar os passos. Segundo fomos informados, o Banco Chinês de Desenvolvimento está em conversações com o Governo da RAEM para acelerar a transferência da sede. Julgo que na primeira metade deste ano já estará aqui”, informou. 

Maria Caetano

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