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Português sem fronteiras

No 6o Concurso de Debate em Língua Portuguesa para Instituições de Ensino Superior da China e da Ásia, que se realizou no Instituto Politécnico de Macau, não só registou-se o maior número de sempre de instituições participantes, como, pela primeira vez, estendeu-se a territórios fora da República Popular da China. 

Com uma dimensão maior, o 6o Concurso de Debate em Língua Portuguesa para Instituições de Ensino Superior da China e da Ásia, que decorreu nos dias 25 e 26 de Novembro, no Instituto Politécnico de Macau, teve, pela primeira vez, mais alunos de universidades de fora a participar do que do território. Segundo o coordenador do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Carlos Ascenso André, a proporção reflete um interesse cada vez maior pelo português, na região da Ásia-Pacífico, ditado pelos movimentos do mercado.

Shuta Komine, aluno da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, escolheu o curso de Português com um objetivo profissional em vista. “No meu caso, tinha interesse pelo campeonato desportivo. Há muitos brasileiros a jogar no Japão. Queria ajudá-los [tradução]”, revela. As representantes femininas da equipa acrescentam: “No mundo inteiro se fala português.”

Por seu turno, Olivia Zhou, atualmente a frequentar o 4o ano da licenciatura em Português, na Universidade de Línguas Estrangeiras de Jilin Huaqiao, afirma que “há cada vez mais jovens interessados neste curso na China Continental.” No futuro, pretende trabalhar como intérprete ou professora.

A aprender português fora de um contexto cultural lusófono, Olivia admite que, consoante o nível de dificuldade foi aumentando, notou a falta de material escolar na região onde vive. “No início, não é muito difícil. Mas depois, para aprender, faltam alguns livros de português mais avançados”, diz. Não se desmotivou, procurando encontrar a informação de que precisava na Internet.

A professora Sílvia Zhang, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, afirma que o objectivo profissional é sempre tido em conta pelos seus alunos. “Dantes, não havia licenciaturas em português na China, dantes o português não era tão procurado. Agora há cada vez mais universidades na China a ensinar português.” Além disso, a docente acredita que os alunos também começam a entender que há uma pluralidade de países a falar a língua de Camões. “Geralmente [os alunos], têm interesse pelo Brasil ou por África”, diz.

Em Macau, o professor de português na Universidade de Ciências e Tecnologia, Rui Silva, afirma que os seus alunos escolheram esta licenciatura por acharem que lhes dá emprego. “Alguns querem dar aulas, outros querem continuar os estudos em relações internacionais. Todos querem trabalhar com o português. Querem trabalhar nas empresas.”

Várias mudanças 

O coordenador do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa, Carlos Ascenso André afirma que este é o concurso maior de sempre, contando com a participação de 11 instituições – três de Macau, seis da China Continental, uma do Japão e uma do Vietname.

Já na 6a edição, o evento contou com algumas alterações este ano. “A grande mudança é a coorganização com o GAES [Gabinete de Apoio ao Ensino Superior]”, refere, esclarecendo que assim se tornou possível alargar a dimensão do concurso. “Houve aqui dois princípios – o número de instituições de ensino superior da China Continental é superior ao de Macau; em segundo lugar, alargar a instituições da região Ásia-Pacífico fora da República Popular da China”, diz, acrescentando: “Faz com que o número de instituições seja o maior de sempre.”

Além disso, esta é a primeira edição em que a entidade organizadora passou a ser o Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa, ao invés da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM. “Não é capricho. A Escola Superior tem cursos. Os candidatos são concorrentes no concurso. Não seria límpido e transparente que a escola que organiza fosse concorrente”, acrescenta. Ao alterar a dimensão do concurso, Carlos Ascenso André assume que se trata de uma

mudança de estratégia promovida pelo IPM. “Pretendemos que Macau assegure o lugar de plataforma, não apenas da China e dos países lusófonos, mas também da Ásia-Pacífico”, revela. “Macau tem um lugar privilegiado do ponto de vista histórico e geográfico, não é apenas no contexto da República Popular da China. Não é só por ter uma posição geográfica invejável, mas também porque não há nenhum território que se possa orgulhar de ter sido um encontro de culturas com a profundidade de Macau”, esclarece. Existe também “vontade política”. A proposta foi apresentada ao GAES, que “imediatamente a aplaudiu”, mostrando que “há esta noção de que o papel de Macau não se deve limitar à República Popular da China”.

O número manifestamente superior de instituições da China Continental reflete a realidade. “Na China há 22 instituições com nível de graduação e mais dez sem nível de graduação. O número de alunos já é superior ao de Macau”, revela. “O centro que dirijo está voltado para o apoio do interior da China, o que significa, em iniciativas desta natureza, dar à China o peso que tem.”

No que toca a dois dos estreantes no concurso, a Universidade de Hanói (Vietname) e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio (Japão), o coordenador afirma que não é surpreendente haver alunos interessados em aprender português nesses países, uma vez que há investimentos nos mercados lusófonos. “São razões de mercado. Enquanto uma parte dos EUA, França ou Alemanha, quando houve crescimento português na segunda metade do século passado, foi por fascínio cultural, neste caso não é motivação cultural, é economicista – os jovens querem aquele curso porque aquele curso dá emprego.”

Das 11 instituições de ensino superior participantes no concurso, apenas três – a Universidade de Macau, Universidade de Ciências e Tecnologia e IPM – representavam o território. “As outras sentiram que ainda não tinham alcançado um nível que lhes permitisse competir”, afirma.

Entre os representantes locais, apenas a equipa da Universidade de Macau chegou ao pódio, alcançando um segundo lugar. A Universidade de Estudos Internacionais de Xangai ficou em terceiro, enquanto a vencedora – já repetente por três vezes no título – foi a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim.

Luciana Leitão 

4 DE DEZEMBRO 2015  

 

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