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Mais 40 espécies migratórias protegidas por convenção da ONU

A Convenção para a conservação das espécies migratórias (CMS) da ONU aprovou a inclusão de 40 novas espécies sob proteção internacional, no decurso da sua 15.ª reunião (COP15), no Brasil

Lusa

A lista aprovada na última sessão plenária inclui, nomeadamente, a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), que ficou famosa nos filmes da saga Harry Potter, ou o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), um pássaro de bico longo ameaçado de extinção que percorre 30.000 quilómetros por ano ao longo das Américas.

A lista inclui ainda o tubarão-martelo gigante (Sphyrna mokarran) e mamíferos terrestres como a hiena riscada (Hyaena hyaena) ou aquáticos, como a lontra gigante do Brasil (Pteronura brasiliensis).

A reunião, que juntou representantes de 133 entidades – 132 países e a União Europeia – decorreu em Campo Grande, no centro oeste do Brasil, no Pantanal brasileiro, uma das zonas mais ricas em biodiversidade do planeta.

A Convenção é juridicamente vinculativa, o que significa que estes países têm a obrigação legal de proteger as espécies classificadas como ameaçadas de extinção, de conservar e restaurar os seus habitats, de minimizar os obstáculos à sua migração e de cooperar entre si para alcançar essa preservação.

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De acordo com um relatório publicado antes da COP15, cerca de metade (49%) de todas as espécies elencadas pela CMS apresentam tendências de declínio populacional, e cerca de um quarto está ameaçada de extinção.

Um outro relatório, publicado na passada semana, alertou para “o colapso” das migrações indispensáveis à sobrevivência das espécies de peixes de água doce como as enguias, provocado pela degradação dos habitats naturais, a sobrepesca ou as barragens.

“A Convenção (…) lembra-nos uma mensagem simples, mas poderosa: as migrações são naturais. Ao atravessar os continentes e ligar ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece fronteiras entre Estados”, declarou o presidente brasileiro Lula da Silva, no seu discurso de abertura, há uma semana. “Proteger estes animais é proteger a vida do planeta”, resumiu.

O Brasil já acolheu em novembro de 2025 a COP30, conferência da ONU sobre o clima e alterações climáticas, na cidade amazónica de Belém, no Estado do Pará.

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