O governo mexicano anunciou que “El Mencho”, um dos criminosos mais procurados do país e dos Estados Unidos, foi abatido numa operação de captura realizada em Tapalpa, com o envolvimento de forças do exército e da Guarda Nacional apoiadas por informações de inteligência partilhadas por agências norte-americanas.
Na ação, que tinha como objetivo capturar o chefe do CJNG, vários membros do cartel e forças federais ficaram feridos ou mortos, enquanto armas pesadas e veículos blindados foram apreendidos. “El Mencho” foi ferido durante o confronto e acabou por morrer no transporte para a Cidade do México.
O líder do CJNG tinha uma longa carreira criminal, com um historial de tráfico de drogas, incluindo fentanil, cocaína, heroína e metanfetaminas, e responsabilidades por actos de extrema violência, como ataques com drones e confrontos directos com as autoridades. Os Estados Unidos colocaram uma recompensa de até 15 milhões de dólares pela sua captura e classificaram o cartel como organização terrorista.
Reações violentas nas ruas

Foto: Ulises Ruiz/AFP
A morte de “El Mencho” provocou reações imediatas e violentas por parte de membros do CJNG e simpatizantes em pelo menos oito estados mexicanos, incluindo Jalisco, Michoacán, Tamaulipas e Guanajuato.
As forças de segurança enfrentaram confrontos com homens armados nas ruas, enquanto cartéis retaliaram com bloqueios de estradas usando veículos em chamas, incêndios em lojas e ônibus, e outras formas de protesto violento. Em locais turísticos como Guadalajara e Puerto Vallarta, foram cancelados voos e escolas encerradas por razões de segurança, e autoridades chegaram a emitir recomendações para que residentes e visitantes permanecessem em casa.
Em resposta, embaixadas de vários países, incluindo dos Estados Unidos, Canadá e na União Europeia, emitiram alertas aos seus cidadãos no México para evitarem deslocações e manterem cautela nas áreas afetadas.
Contexto da violência e do cartel
O CJNG, sob a liderança de “El Mencho”, tornou-se ao longo dos anos numa das organizações criminosas mais influentes e violentas do México, rivalizando com outros grandes cartéis como o do Sinaloa. O grupo expandiu operações pelo território mexicano e internacionalmente, envolvendo-se não só no tráfico de drogas mas também em extorsão, sequestros e outros crimes graves.
Especialistas alertam que, apesar da morte do líder, a estrutura do cartel poderá continuar a operar, visto não haver um sucessor claro com a mesma autoridade. Ao mesmo tempo, a violência desencadeada após a sua morte demonstra como a retirada de um chefe de cartel pode gerar um vazio de poder e multiplicar conflitos com as forças de segurança.

