O país exercerá o direito de autodefesa previsto na Carta das Nações Unidas caso seja atacado, avisou, na quinta-feira, o embaixador iraniano junto das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, numa carta enviada ao secretário-geral da organização e ao presidente do Conselho de Segurança.
O aviso surge devido ao reforço militar dos EUA na região e às recentes declarações de Donald Trump sobre a base de Diego Garcia, uma ilha transformada em base militar no arquipélago de Chagos, no Oceano Índico.
Trump classificou, na quarta-feira, o arrendamento britânico da base militar anglo-americana, como um “grande erro”, observando que “pode ser necessário que os Estados Unidos utilizem Diego Garcia” se as negociações nucleares com o Irão fracassarem.
Nos termos de um acordo anunciado em maio de 2025, a Grã-Bretanha concordou em transferir a soberania das Ilhas Chagos para as Maurícias, ao mesmo tempo que arrendava Diego Garcia por 99 anos por 101 milhões de libras (cerca de 116 milhões de euros) anualmente.
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Iravani sublinhou ainda que a situação regional é volátil e que declarações desse tipo não devem ser vistas como mera retórica, mas como sinais de risco concreto de agressão.
O diplomata alertou que, em caso de conflito, todas as bases, instalações e meios das forças consideradas hostis na região poderão tornar-se alvos legítimos, responsabilizando diretamente os Estados Unidos por quaisquer consequências imprevisíveis.
O documento apela ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da ONU para que atuem sem demora, defendendo que ameaças de força não podem ser normalizadas como instrumento de política externa. Teerão reiterou, contudo, a disponibilidade para alcançar uma solução equilibrada nas negociações nucleares com Washington, caso os Estados Unidos demonstrem seriedade e respeito pelo direito internacional.

