A decisão surge após semanas de confronto político e jurídico entre os Clinton e o republicano James Comer, presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, que lidera a investigação. Comer afirmou esta segunda-feira que exigirá que ambos prestem depoimento sob juramento, em cumprimento das intimações emitidas pela comissão.
Num comunicado divulgado nas redes sociais, Angel Ureña, porta-voz dos Clinton, acusou Comer de agir de má-fé, mas confirmou a comparência do casal. “Eles negociaram de boa-fé. Vocês não”, escreveu. “O antigo presidente e a antiga secretária de Estado estarão presentes e aguardam com expectativa a possibilidade de estabelecer um precedente que se aplique a todos.”
A Câmara dos Representantes caminhava para votar, ainda esta semana, a abertura de processos criminais por desacato ao Congresso, o que poderia resultar em multas elevadas e até penas de prisão, caso os Clinton fossem condenados.
Durante meses, o casal recusou comparecer perante a comissão controlada pelos republicanos, classificando as intimações como ilegais e inexequíveis, e acusando Comer de instrumentalizar a investigação no âmbito de uma alegada campanha de retaliação política associada ao ex-presidente Donald Trump.
Uma carta enviada pela comissão aos advogados dos Clinton indica que o casal tinha proposto uma solução alternativa: Bill Clinton estaria disponível para uma entrevista registada sobre matérias relacionadas com as investigações a Epstein, enquanto Hillary Clinton se oferecia para apresentar uma declaração escrita sob juramento. A proposta foi rejeitada pelos republicanos.
Em janeiro, os advogados do casal tinham sustentado que as intimações violavam os limites constitucionais do poder de investigação do Congresso e não serviam um propósito legislativo válido, acusando a comissão de tentar apenas embaraçar adversários políticos.
Apesar disso, a comissão avançou no mês passado com acusações formais de desacato. Nove dos 21 democratas da comissão juntaram-se aos republicanos no apoio às acusações contra Bill Clinton, invocando a necessidade de total transparência na investigação ao caso Epstein. Três democratas votaram igualmente a favor das acusações contra Hillary Clinton.
A ligação de Bill Clinton a Jeffrey Epstein voltou a ganhar destaque no contexto da investigação. O antigo presidente manteve uma relação social com o financista nos anos 1990 e início dos anos 2000, tal como outras figuras de topo da política e dos negócios, incluindo Donald Trump. Bill Clinton nunca foi acusado de qualquer ilegalidade relacionada com Epstein.
Na sexta-feira, o Departamento de Justiça norte-americano divulgou mais de três milhões de ficheiros associados ao caso Epstein, incluindo milhares de vídeos e imagens, bem como trocas de e-mails entre Epstein e o empresário Elon Musk, revelando uma relação mais próxima do que anteriormente conhecido.
Após a divulgação dos documentos, democratas acusaram a administração Trump de promover um “encobrimento em larga escala”, depois de o Governo ter declarado encerrada a investigação. Vários congressistas, incluindo o republicano Thomas Massie, afirmam que milhões de páginas continuam por divulgar.
Os Clinton acusam ainda James Comer de politizar a investigação, ao mesmo tempo que, alegam, não responsabiliza a administração Trump pelos atrasos na divulgação integral dos ficheiros do Departamento de Justiça.