O foco de infeção foi identificado na região de Calcutá, levando as autoridades a lançar um rastreio alargado de contactos e a impor medidas de quarentena para travar a propagação. Segundo a agência Press Trust of India, três novos casos foram confirmados esta semana, juntando-se a outros dois detetados anteriormente.
Entre os infetados estão profissionais de saúde, incluindo um médico e três enfermeiros do hospital privado Narayana Multispeciality, em Barasat, a cerca de 25 quilómetros de Calcutá. O secretário principal do Departamento de Saúde e Família, Narayan Swaroop Nigam, confirmou que uma das enfermeiras se encontra em estado crítico e em coma.
As autoridades acreditam que a profissional de saúde tenha sido infetada durante o tratamento a um doente com graves dificuldades respiratórias, que acabou por morrer antes de poder ser testado para o vírus Nipah. As duas enfermeiras começaram a manifestar sintomas, como febre elevada e problemas respiratórios, entre a véspera de Ano Novo e 2 de janeiro.
Em resposta ao surto, 180 pessoas já foram testadas e 20 contactos de alto risco foram colocados em isolamento preventivo.
O vírus Nipah é uma zoonose transmitida de animais para humanos, tendo como principais hospedeiros naturais os morcegos frugívoros, comuns na Índia. A transmissão pode também ocorrer através de porcos infetados ou por contacto direto entre pessoas, o que aumenta o risco de surtos em ambiente hospitalar.
A infeção em humanos pode ser inicialmente assintomática, mas evolui rapidamente para uma doença respiratória aguda. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça e musculares, vómitos e dor de garganta. Nos casos mais graves, o vírus pode provocar encefalite, levando ao coma em apenas 24 a 48 horas.
Devido à sua elevada letalidade e potencial de propagação, a OMS classificou o vírus Nipah como um patógeno prioritário, apelando ao reforço da investigação científica para o desenvolvimento urgente de tratamentos e vacinas, tanto para humanos como para animais.