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Índia em alerta máximo após surto do vírus Nipah, considerado potencial ameaça pandémica

As autoridades sanitárias da Índia colocaram-se em alerta máximo para conter um surto do vírus Nipah, que já infetou cinco pessoas no estado da Bengala Ocidental, perto de Calcutá, a terceira cidade mais populosa do país. O vírus, para o qual não existe vacina nem tratamento específico, apresenta uma taxa de mortalidade que pode atingir 75% e é acompanhado de perto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma possível ameaça pandémica.

O foco de infeção foi identificado na região de Calcutá, levando as autoridades a lançar um rastreio alargado de contactos e a impor medidas de quarentena para travar a propagação. Segundo a agência Press Trust of India, três novos casos foram confirmados esta semana, juntando-se a outros dois detetados anteriormente.

Entre os infetados estão profissionais de saúde, incluindo um médico e três enfermeiros do hospital privado Narayana Multispeciality, em Barasat, a cerca de 25 quilómetros de Calcutá. O secretário principal do Departamento de Saúde e Família, Narayan Swaroop Nigam, confirmou que uma das enfermeiras se encontra em estado crítico e em coma.

As autoridades acreditam que a profissional de saúde tenha sido infetada durante o tratamento a um doente com graves dificuldades respiratórias, que acabou por morrer antes de poder ser testado para o vírus Nipah. As duas enfermeiras começaram a manifestar sintomas, como febre elevada e problemas respiratórios, entre a véspera de Ano Novo e 2 de janeiro.

Em resposta ao surto, 180 pessoas já foram testadas e 20 contactos de alto risco foram colocados em isolamento preventivo.

O vírus Nipah é uma zoonose transmitida de animais para humanos, tendo como principais hospedeiros naturais os morcegos frugívoros, comuns na Índia. A transmissão pode também ocorrer através de porcos infetados ou por contacto direto entre pessoas, o que aumenta o risco de surtos em ambiente hospitalar.

A infeção em humanos pode ser inicialmente assintomática, mas evolui rapidamente para uma doença respiratória aguda. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça e musculares, vómitos e dor de garganta. Nos casos mais graves, o vírus pode provocar encefalite, levando ao coma em apenas 24 a 48 horas.

Devido à sua elevada letalidade e potencial de propagação, a OMS classificou o vírus Nipah como um patógeno prioritário, apelando ao reforço da investigação científica para o desenvolvimento urgente de tratamentos e vacinas, tanto para humanos como para animais.

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