Assumiu recentemente a direção da MECC por um período de 2 anos. Quais as prioridades?
Echo Chan – Assumir a presidência representa uma oportunidade de consolidar as bases já existentes e de avançar de forma pragmática com o nosso trabalho. Espero tirar partido da minha experiência em áreas como a promoção do comércio de Macau e o setor internacional de MICE, de modo a concentrar-me nas necessidades práticas das empresas associadas e a facilitar a circulação de informação e o encontro entre oferta e procura empresarial.
O trabalho incidirá essencialmente em três vertentes: continuar a aperfeiçoar os nossos canais de comunicação com os departamentos governamentais, para reforçar a precisão e a atualidade da informação divulgada; promover cooperação concreta e mecanismos de correspondência em áreas onde existe um consenso claro, como a transição verde; e ajudar os membros a obter uma compreensão mais prática e um maior envolvimento no desenvolvimento da Grande Baía.
O interesse das empresas europeias em Macau assume um carácter estratégico, acompanhado por um sentimento de proximidade cultural
– Qual o papel da MECC no panorama económico local?
E.C. – Servir de plataforma pragmática de ligação entre as empresas europeias e o mercado local. Concentramo-nos na transmissão de informação eficaz sobre políticas e mercados; e no apoio aos nossos membros e às empresas europeias interessadas em investir em Macau ou nas áreas envolventes, ajudando-as a identificar pontos de entrada viáveis para a cooperação empresarial.
– A diversificação económica é uma prioridade. Como pode s MECC contribuir para este objetivo e em que setores?
E.C. – Ligar os recursos industriais europeus relevantes às necessidades locais e ajudar as empresas europeias a compreender e a adaptar-se ao percurso de diversificação de Macau, explorando modelos de cooperação no âmbito de projetos específicos. Existe margem prática para cooperação em áreas como tecnologias verdes aplicadas, inovação na oferta cultural e turística, serviços profissionais, como por exemplo finanças, direito e design, e gestão de saúde e bem-estar. Estes setores estão alinhados com as orientações de desenvolvimento de ambas as partes.
Macau pode oferecer às empresas europeias um conjunto único e dificilmente replicável de vantagens globais
– As empresas europeias estão interessadas em investir em Macau?
E.C. – O interesse assume um carácter estratégico, acompanhado por um sentimento de proximidade cultural. O seu foco é claro: dos setores tradicionais do Jogo e do Turismo para áreas mais alinhadas com as políticas de diversificação económica e com os seus planos de longo prazo e de carácter estrutural. As empresas europeias estão atentas e demonstram interesse avaliativo nos quatro grandes projetos de desenvolvimento – Parque Industrial de I&D em Ciência e Tecnologia de Macau, a Cidade Internacional de Educação (Universitária) Macau–Hengqin, a Zona Internacional Integrada de Turismo e Cultura de Macau e o Centro Internacional de Transporte Aéreo do Delta Ocidental do Rio das Pérolas – delineados nas Linhas de Acção Governativa. As empresas não se limitam a acompanhar a orientação política, mas também prestam atenção aos caminhos concretos de implementação.
– Que vantagens competitivas temos em comparação com outros mercados da região?
E.C. – Macau pode oferecer às um conjunto único e dificilmente replicável de vantagens globais, que podem ser resumidas como uma combinação de “conectividade dura” e “ambiente suave”. A “conectividade dura” refere-se ao enquadramento institucional, ao sistema fiscal reduzido e ao posicionamento como ponte entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O “ambiente suave” reside no seu profundo património histórico e cultural, que proporciona um contexto cultural e de vida com o qual as empresas europeias estão muito familiarizadas e no qual é fácil integrarem-se.
Existe margem prática para cooperação [entre Macau e a Europa] em áreas como tecnologias verdes aplicadas, inovação na oferta cultural e turística, (…) e gestão de saúde e bem-estar
– Que papel pode a MECC desempenhar no reforço das ligações entre as empresas europeias e a Grande Baía?
E.C. – Pode atuar como um “filtro de informação” e como um “facilitador inicial”. Ajudamos os nossos membros a navegar no complexo quadro de políticas e de informação de mercado da Grande Baía e, quando existem intenções claras, apoiamo-los na ligação a instituições relevantes e a potenciais parceiros.
– A sua experiência no Fórum Macau influencia a sua visão estratégica para a MECC?
E.C. – Essa experiência levou-me a encarar o valor de uma “plataforma” de forma mais pragmática. Recorda-me que a MECC pode tirar melhor partido do papel de Macau como plataforma China–PLP para explorar alguns projetos-piloto de cooperação trilateral que liguem a Europa e os Países de Língua Portuguesa. É necessário identificar projetos concretos, com elevado grau de complementaridade, como pontos de partida. Por exemplo, em áreas como tecnologias agrícolas sustentáveis, gestão de recursos marinhos ou formação profissional e técnica.
– Face à incerteza económica e geopolítica atual, qual o papel da MECC?
E.C. – Vamos concentrar-nos no reforço da partilha de experiências e do apoio mútuo entre os membros, de modo a analisar coletivamente a dinâmica do mercado local. Em simultâneo, manter uma comunicação fluida com os departamentos locais, para clarificar, tanto quanto possível, o enquadramento político para os nossos membros, reduzindo assim os riscos associados à assimetria de informação.
– Que mensagem gostaria de transmitir aos investidores europeus que ainda não consideraram Macau como destino de investimento?
E.C. – Macau está a atravessar uma transformação positiva, e o seu papel único como elo de ligação entre a China continental e o mundo lusófono torna-se cada vez mais claro. Para as empresas europeias cujas atividades se alinhem com estas características, Macau merece ser considerado e avaliado de forma cuidadosa e concreta. E a MECC está disponível para prestar apoio no estabelecimento dessas ligações.