A subida dos preços não se explica por um único fator. Nos últimos meses, a cadeia de abastecimento tem enfrentado constrangimentos que vão desde o aumento dos custos de transporte e energia até à redução de oferta em alguns mercados de origem. Em simultâneo, a procura sazonal exerce maior pressão sobre retalhistas e grossistas, que operam com margens mais estreitas. Este conjunto de fatores resulta num cabaz de Natal consideravelmente mais caro, sobretudo para as famílias com menor capacidade financeira.
O impacto estende-se também aos ingredientes essenciais das sobremesas tradicionais. Ovos, chocolate de culinária, açúcar e frutos secos apresentaram subidas consistentes, o que se traduz em custos adicionais para quem mantém o hábito de preparar rabanadas, aletria, tronco de Natal ou bolo-rei caseiro. Ainda que alguns produtos, como o azeite, revelem sinais de estabilização ou ligeira descida, o alívio é insuficiente para compensar o aumento generalizado.
As famílias começam, assim, a reavaliar hábitos. Algumas optam por reduzir o peso do bacalhau ou trocar o peru por carnes mais económicas, outras ajustam receitas ou diminuem a variedade de pratos. Em muitas casas, preserva-se o espírito da celebração, mas com escolhas mais racionais e adaptadas ao contexto económico.
Para comerciantes e produtores, este cenário representa um misto de oportunidade e desafio. Por um lado, a proximidade do Natal garante procura; por outro, a sensibilidade dos consumidores ao preço pode influenciar padrões de compra. No conjunto, o aumento do custo dos produtos natalícios volta a colocar a inflação alimentar no centro do debate público, num ano em que muitos portugueses já viram o seu poder de compra diminuído.
O Natal mantém-se um momento de grande simbolismo, mas a forma como será celebrado em 2025 parece cada vez mais condicionada pelo peso da fatura final. O bacalhau e o peru, símbolos de uma tradição profundamente enraizada, tornam-se agora também símbolos das dificuldades económicas que marcam este final de ano.