Apesar da relativa estabilização de algumas frentes, o leste continua a ser o epicentro dos combates mais intensos. Em Donetsk, a batalha por Pokrovsk tornou-se um símbolo da resistência ucraniana e da determinação russa em avançar. Grande parte da cidade está sob controlo de Moscovo, mas focos de combate urbano persistem, dificultando qualquer consolidação definitiva.
Na região de Kharkiv, especialmente nas áreas próximas de Kupiansk, forças russas intensificaram operações de engenharia militar, estabelecendo pontes sobre o rio Oskil para suportar novas tentativas de corte de linhas logísticas ucranianas. Essa manobra sugere que Moscovo procura expandir o perímetro ocupado para zonas que, até aqui, se mantinham contestadas.
Sul: uma frente tensa, mas menos móvel
No sul, a região de Zaporizhzhia continua a ser palco de confrontos frequentes, embora sem grandes avanços territoriais. As forças russas tentam reforçar posições estratégicas, enquanto as tropas ucranianas procuram manter corredores logísticos que lhes permitam resistir a ataques de drones e artilharia.
Kherson, dividida entre zonas ocupadas e áreas controladas por Kyiv, vive um cenário particularmente volátil: ataques a infraestruturas de energia e comunicações tornaram-se rotina, afetando milhares de civis.
Avanços lentos, impacto profundo
Os últimos meses mostram um padrão claro: a Rússia continua a avançar, mas em escalas menores e de forma incremental. Os progressos não têm a dimensão dos registados em 2022, mas representam perdas acumuladas para Kyiv, que enfrenta dificuldades logísticas, escassez de munições e crescente desgaste humano.
Para além do campo de batalha, a pressão humanitária agrava-se. Comunidades inteiras foram deslocadas, sobretudo nas regiões de Donetsk, Luhansk e Zaporizhzhia. A destruição de redes de energia e água mantém centenas de milhares de ucranianos dependentes de geradores, poços improvisados e ajuda internacional.
Implicações políticas
Cada quilómetro conquistado pela Rússia complica qualquer cenário de negociação. As fronteiras de facto estabelecidas no terreno tornam mais difícil a construção de um consenso diplomático, especialmente num contexto em que Kyiv rejeita ceder território e Moscovo reforça a ideia de “irreversibilidade” das suas ocupações.
Analistas apontam que o controlo territorial, tal como se encontra atualmente, deve influenciar profundamente qualquer iniciativa de paz que venha a surgir nos próximos meses. No entanto, não há indicações concretas de um cessar-fogo próximo.
Um conflito sem horizonte claro
Mais de três anos após o início da invasão em larga escala, o mapa da Ucrânia continua marcado pelo avanço russo, pela resistência ucraniana e por uma guerra que não dá sinais de abrandar. À medida que 2026 se aproxima, o território em disputa mantém-se como um dos principais indicadores da evolução — ou do impasse — deste conflito que redefiniu a geopolítica europeia.