Umerov manifestou otimismo quanto à possibilidade de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, viajar a Washington antes do final de novembro para formalizar o acordo. A CBS News tinha já avançado no domingo que autoridades norte-americanas e ucranianas discutiam uma possível visita de Zelenskyy aos EUA esta semana.
“Os ucranianos aceitaram o acordo de paz”, disse o responsável norte-americano. “Ficam apenas alguns detalhes menores a serem resolvidos.”
A notícia surge enquanto o Secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, se encontrava em Abu Dhabi em reuniões com representantes russos, segundo várias fontes diplomáticas. Até ao momento, não houve reação oficial da Rússia às negociações em Abu Dhabi.
Durante uma conferência de imprensa, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, afirmou que, embora a Rússia “aprecie a posição dos EUA, que estão a tomar a iniciativa para resolver o conflito ucraniano”, Moscovo “atua de forma profissional, não divulgando informações antes de acordos formais”. Lavrov acrescentou que a Rússia espera ser informada sobre os resultados das consultas com a Ucrânia e a Europa em breve.
Segundo fontes norte-americanas, Driscoll reuniu-se com a delegação russa durante várias horas e terá novas reuniões ao longo do dia para avançar rapidamente com as negociações. Uma delegação ucraniana também está presente em Abu Dhabi, mantendo contacto com Driscoll e a sua equipa.
Umerov escreveu nas redes sociais que os negociadores ucranianos “alcançaram um entendimento comum sobre os termos principais” do acordo, discutido entre autoridades dos EUA, europeias e ucranianas em Genebra durante o fim de semana.
O avanço em Abu Dhabi ocorre num momento em que o ex-Presidente Donald Trump intensifica esforços para assegurar um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia. Umerov afirmou que os parceiros europeus apoiam os próximos passos e que se aguarda organizar a visita de Zelenskyy aos EUA ainda em novembro para concluir o acordo com Trump.
Fontes indicam que Driscoll está a trabalhar com uma versão revista da proposta de 28 pontos da Casa Branca, após negociações produtivas em Genebra. Durante o fim de semana, Driscoll, o Secretário de Estado Marco Rubio, o enviado de Trump Steve Witkoff, Jared Kushner e diplomatas ucranianos e europeus participaram nas conversações na Suíça.
O plano inclui questões sensíveis, como o estatuto da região de Donetsk — incluindo áreas não ocupadas pela Rússia — e a adesão da Ucrânia à NATO. Um documento complementar prevê garantias de segurança semelhantes ao Artigo 5 do tratado da NATO, garantindo apoio internacional caso a Ucrânia seja atacada.
No sábado, um grupo de países da NATO e aliados dos EUA lançou uma declaração conjunta afirmando que o plano “constitui uma base que exigirá trabalho adicional”. A Casa Branca anunciou que os responsáveis norte-americanos e ucranianos elaboraram um “quadro de paz atualizado e refinado” após as discussões em Genebra.
Um responsável norte-americano afirmou que o Presidente russo, Vladimir Putin, parece acreditar que obterá a região de Donetsk — seja através de acordo negociado ou no campo de batalha —, sendo esta a premissa das negociações de Genebra da administração Trump. A progressão russa na cidade de Pokrovsk, considerada porta de entrada para a região industrial do Donbas, é vista como um sinal negativo para as perspetivas defensivas de Kiev.

