Nos primeiros anos, a segurança limitava-se a fardos de palha e barreiras mínimas. Os incidentes graves registados no início da década de 1970, nomeadamente em 1974, levaram a um maior envolvimento da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que, a partir de meados dos anos 1970, começou a enviar inspetores e especialistas em segurança para Macau. Desde então, foi desenvolvido um programa contínuo de melhorias técnicas, conduzido em estreita cooperação com responsáveis internacionais. A modernização incluiu a introdução gradual de barreiras metálicas em tripla camada, redes de proteção de alta resistência e reforços estruturais em zonas críticas do percurso, como as curvas Lisboa, Melco e Mandarim.
Ao longo dos anos 1980 e 1990, o circuito tornou-se um campo de teste para novas soluções de segurança aplicadas em provas de nível mundial. Foram instalados sistemas de absorção de impacto semelhantes aos usados na Fórmula 1, substituindo os tradicionais empilhamentos de pneus, e as áreas de escape – ‘run-off areas’ – foram adaptadas às exigências técnicas de diferentes categorias.

Um dos momentos marcantes da colaboração técnica com a FIA ocorreu quando Macau foi utilizado como plataforma de ensaio para novas soluções de corrida. O sistema de partida atualmente usado na Fórmula 1, com cinco luzes vermelhas que se apagam simultaneamente para dar início à prova, foi testado pela primeira vez no Circuito da Guia, em fase experimental, antes de ser adotado oficialmente nos Grandes Prémios, no final dos anos 1990.
Outro avanço fundamental ocorreu no domínio do socorro médico. Desde os anos 1990, médicos, enfermeiros e bombeiros de Macau recebem formação especializada ministrada por peritos internacionais ligados à FIA. Essa capacitação inclui treino em desencarceramento rápido, atendimento em pista e transporte seguro de pilotos feridos. Hoje, as equipas de emergência conseguem retirar e estabilizar um acidentado em poucos segundos, um nível de eficiência alinhado com os padrões internacionais. E nas zonas mais estreitas do traçado, a remoção das viaturas acidentadas é feita com recurso a gruas – procedimento particular em circuitos urbanos com espaço limitado para manobras de resgate.
A estrutura hospitalar é uma das singularidades de Macau: o circuito dispõe de um hospital totalmente equipado dentro do seu perímetro, o Centro Hospitalar Conde de São Januário. Essa proximidade elimina a necessidade de evacuações aéreas e reduz drasticamente o tempo de resposta em situações críticas. Cada ambulância e carro médico está estrategicamente posicionado ao longo do traçado, permitindo acesso rápido a qualquer ponto da pista.

Também a formação de comissários, controladores e técnicos de pista evoluiu de forma sistemática, transformando o Grande Prémio numa verdadeira escola. O corpo operacional, que começou com algumas dezenas de elementos provenientes de Hong Kong e Portugal, conta hoje com largas centenas de elementos operacionais.
A cooperação com a FIA consolidou-se nas últimas décadas, assegurando a homologação de Grau 2 em 2019 – requisito para receber competições internacionais de alta performance. Essa classificação reflete não apenas as condições físicas do circuito, mas também a capacidade organizativa e os protocolos médicos e técnicos implementados.
A segurança do público também acompanhou essa evolução. A delimitação de zonas de acesso, o reforço da sinalização e a articulação entre polícia, bombeiros e equipas civis garantem uma gestão eficaz das multidões que todos os anos se concentram ao redor da Guia.
Hoje, o Grande Prémio de Macau combina tradição e modernidade: um circuito histórico que preserva o traçado original, mas que integra tecnologia e procedimentos equivalentes aos dos palcos mais avançados do automobilismo mundial.
