Início » Novo porta-aviões chinês navegou pelo Estreito de Taiwan

Novo porta-aviões chinês navegou pelo Estreito de Taiwan

A China anunciou hoje que o seu terceiro e mais recente porta-aviões, o Fujian, atravessou recentemente o sensível Estreito de Taiwan para realizar “ensaios de investigação científica e missões de treino” no Mar do Sul da China

Plataforma

Pequim investiu milhares de milhões de dólares na modernização das suas forças armadas nos últimos anos, uma tendência que tem causado apreensão em alguns governos da Ásia Oriental, apesar da insistência chinesa de que os seus objectivos são pacíficos.

A China tem actualmente dois porta-aviões em operação — o Liaoning e o Shandong — estando o Fujian em fase de testes marítimos. A marinha chinesa afirmou que a realização de ensaios trans-regionais “faz parte normal do processo de construção de um porta-aviões” e que “não está dirigida a nenhum alvo específico”, declarou o porta-voz da marinha chinesa, Leng Guowei.

No entanto, a sua passagem pelo sensível Estreito de Taiwan teve como objectivo sinalizar “a ascensão da China como uma forte potência militar e, mais do que isso, como uma grande potência marítima”, afirmou Collin Koh, investigador sénior da S. Rajaratnam School of International Studies em Singapura. “Trata-se de exibir a nova força militar da China e enviar um sinal claro a potenciais adversários”, acrescentou.

O departamento de Defesa de Taiwan informou que recorreu a “meios conjuntos de inteligência, vigilância e reconhecimento para compreender totalmente a situação e responder em conformidade”.

O Ministério da Defesa do Japão comunicou que, na tarde de quinta-feira, identificou três navios navais chineses a avançar para sudoeste em águas a cerca de 200 quilómetros a noroeste de uma das disputadas Ilhas Senkaku, conhecidas em chinês como Ilhas Diaoyu. “Entre estes, o porta-aviões Fujian foi confirmado pela primeira vez pela Força Marítima de Autodefesa do Japão”, referiu em comunicado.

Em Julho, o Japão já tinha alertado que a intensificação das actividades militares chinesas poderia “impactar seriamente” a sua segurança, recordando a primeira incursão confirmada de uma aeronave militar chinesa no seu espaço aéreo em Agosto passado, no âmbito da avaliação anual de ameaças.

A China informou que uma frota da guarda costeira “patrulhou as águas territoriais das Ilhas Diaoyu” na sexta-feira. De acordo com Tóquio, no ano passado navios chineses navegaram perto das ilhas administradas pelo Japão em 355 ocasiões, um número recorde.

Segundo o analista militar chinês Song Zhongping, o Mar do Sul da China “apresenta um ambiente mais desafiante, com condições mais severas, tornando os testes mais rigorosos” para o Fujian. Após completar os ensaios marítimos e o treino adaptativo, o porta-aviões deverá ser integrado no serviço activo, disse Song à AFP.

O Liaoning, de fabrico soviético, é o porta-aviões mais antigo da China, comissionado em 2012, enquanto o Shandong entrou ao serviço em 2019. Analistas do centro de estudos CSIS, com sede em Washington, afirmam que o Fujian deverá dispor de sistemas de descolagem mais avançados, permitindo que a força aérea chinesa utilize caças com maiores cargas úteis e mais combustível.

A China tem acelerado a expansão da sua marinha nos últimos anos, procurando alargar a sua presença no Pacífico e desafiar a aliança liderada pelos Estados Unidos. Segundo um relatório do Departamento de Defesa dos EUA publicado em Dezembro, a China possui actualmente, em termos numéricos, a maior marinha do mundo, com uma força de combate composta por mais de 370 navios e submarinos.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!