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Crescimento do Jogo fortalece futuro diversificado

As receitas provenientes do Jogo devem crescer 15% na segunda metade do ano, antecipa a Morgan Stanley. A correção das previsões dá bons indicadores para a economia local, mas o economista Ricardo Siu avisa que este aumento sem paralelo pode tornar a economia de Macau mais vulnerável a quaisquer alterações legislativas impostas sobre o setor. Henry Lei defende que as concessionárias podem estar mais dispostas a reforçar as áreas extra-Jogo, já que essa estratégia tem dado resultados na atividade central

Fernando M. Ferreira

O setor do Jogo ganhou novo fôlego em julho, com um salto de quase 19% nas receitas brutas de Jogo (22,12 mil milhões de patacas), face ao mesmo mês de 2024. Esse desempenho traduziu-se em 8,11 mil milhões de patacas de impostos para os cofres da RAEM, mais 18.8% em termos homólogos, ajudando a elevar a confiança no mercado após um início de ano mais moderado.

No acumulado de janeiro a julho, o Governo arrecadou 53,37 mil milhões de patacas em impostos sobre o Jogo, uma subida de 3.4% que já representa 60% da meta orçamental para 2025. Apesar do crescimento estável, julho destacou-se como um mês que pode redefinir o ritmo da recuperação.

O banco de investimento Morgan Stanley projeta agora um aumento anual de 15% no GGR durante o segundo semestre de 2025, colocando-se acima do consenso do mercado. Analistas da instituição, após visita recente a Macau, relataram um ambiente “mais movimentado do que o habitual para a época do ano”, com casinos cheios, apostas mínimas elevadas e hotéis praticamente esgotados, de acordo com o portal GGR Asia.

Se Macau continuar a depender fortemente das receitas dos casinos, as incertezas enfrentadas pela sua economia tenderão a aumentar ao longo do tempo

Ricardo Siu, professor de Economia na Universidade de Macau

Se, por um lado, o esperado aumento das receitas brutas de Jogo (GGR) garante a estabilidade das concessionárias e das receitas fiscais do Governo; por outro, “se Macau continuar a depender fortemente das receitas dos casinos, as incertezas enfrentadas pela sua economia tenderão a aumentar ao longo do tempo”, avisa Ricardo Siu, professor de Economia na Universidade de Macau. “Exemplos disso são a crescente concorrência regional no futuro previsível; as mudanças no comportamento dos turistas de casinos das novas gerações; e as alterações nas regulamentações impostas pelo Governo Central e por outros governos em relação ao Jogo transfronteiriço, entre outros fatores”.

Concertos e Eventos

Desde a renovação das concessões que as operadoras de Jogo têm investido fortemente para reduzir a dependência das receitas de Jogo. O Citigroup estima que os concertos do cantor de Hong Kong Jacky Cheung entre junho e julho, no Galaxy Macau, tenham contribuído para o aumento das receitas de Jogo.

Para agosto, a Morgan Stanley estima uma subida homóloga de 12% no GGR. “Se a retoma das receitas brutas do Jogo desde maio resultar dos novos esforços desenvolvidos pelas concessionárias para atrair novos clientes, dentro do âmbito permitido pelas novas leis do Jogo, isso poderá traduzir-se em crescimento sustentável a longo prazo para a economia de Macau”, diz Siu.

A corretora assinala, no entanto, que o setor enfrenta desafios: as despesas operacionais aumentaram 14% no segundo trimestre, e a concorrência entre operadores mantém-se intensa. Ainda assim, o grupo Galaxy deverá ganhar peso no mercado com a conclusão da Fase 4 do seu resort no Cotai, enquanto a Wynn também é apontada como beneficiária no terceiro trimestre.

Dado o desempenho operacional satisfatório, as concessionárias poderão estar mais dispostas a aumentar o investimento em áreas não relacionadas com o Jogo, alinhando-se com a direção desejada da estratégia de diversificação

Henry Lei, economista

Dado o desempenho operacional satisfatório, as concessionárias poderão estar mais dispostas a aumentar o investimento em áreas não relacionadas com o Jogo, alinhando-se com a direção desejada da estratégia de diversificação”, diz Henry Lei.

A previsão da Morgan Stanley, somada ao desempenho de julho, reforça a ideia de que 2025 poderá marcar um novo ciclo de estabilidade para Macau, com os casinos a manterem-se como o motor central da economia local, ainda que sob pressão de Pequim para a diversificação da economia.

Mas segundo Henry Lei, Pequim não vai intensificar a pressão desde que “Macau consiga demonstrar progressos no processo de diversificação, aproveitando as receitas fiscais, os fluxos turísticos e a procura gerada pelo setor do Jogo e do turismo para facilitar o desenvolvimento de indústrias não relacionadas com o Jogo e de novos setores.”

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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