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Preços das casas recuam 27% desde 2019

O mercado imobiliário de Macau atravessa um ciclo prolongado de ajustamento, com o índice global de preços da habitação a cair 27% desde o início da pandemia. Enquanto as rendas habitacionais mostram sinais de recuperação sustentadas “pela entrada de trabalhadores estrangeiros”, o segmento comercial e de escritórios continua em declínio no segundo trimestre deste ano, refletindo a fragilidade do ambiente económico e a falta de confiança dos compradores

Fernando M. Ferreira e Nelson Moura

O mercado imobiliário de Macau continua a apresentar sinais da instabilidade que caracteriza a recuperação económica da cidade, com o índice global de preços da habitação em queda, recuando mais de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, e 27% se comparado ao seu auge, em 2019. A correção de preços é cada vez mais generalizada, independentemente da localização ou tipologia.

Só entre 2023 e 2025, o número de transações de imóveis caiu para menos de metade, bem como o valor dos mesmos (ver Quadro 1). “O Governo pode tentar reduzir algumas das taxas de transação – como o imposto de selo, impostos – e flexibilizar o rácio LTV – Loan-to-Value (rácio de empréstimo/valor) para crédito hipotecário”, diz ao PLATAFORMA Mark Wong, diretor sénior no departamento de Valor e Risco da agência imobiliária JLL Macau.

Expatriados sobem rendas

Segundo os dados do segundo trimestre de 2025 divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as rendas comerciais e de escritórios registaram novas descidas, ao passo que as rendas habitacionais evidenciaram uma ligeira recuperação.

Para Wong, “a renda habitacional foi sustentada pela recuperação dos trabalhadores estrangeiros, enquanto a renda comercial caiu devido ao fraco ambiente de negócios (ver Quadro 3). Porém, “os preços [das rendas habitacionais] parecem ter abrandado recentemente, e poderão manter-se no próximo trimestre.”

Os preços [das rendas habitacionais] parecem ter abrandado recentemente, e poderão manter-se no próximo trimestre.

Mark Wong, diretor sénior no departamento de Valor ecRisco da agência imobiliária JLL Macau

A análise por zonas mostra diferenças significativas. No mercado de arrendamento habitacional, destacaram-se as subidas no ZAPE (+1.5%) e em Coloane (+1.2%), Para Wong, estes valores estão relacionados com os “requisitos de habitação e de trabalho dos residentes”. “O ZAPE e Coloane estão próximos das zonas hoteleiras e, por isso, mais expatriados vivem nos edifícios residenciais dessas áreas. Contudo, como foram concluídos novos projetos residenciais que aumentaram a oferta para arrendamento na Nova Areia Preta, as rendas nessa zona desceram. Ainda assim, existe apenas uma pequena correlação entre preço e renda na decisão de compra de habitação em Macau”, diz.

Novos empreendimentos em saldos

A instabilidade reflete-se também no sentimento dos compradores. Wong nota que, “os depósitos dos residentes locais continuam a crescer e são sólidos. O sentimento de investimento ainda é fraco porque durante algum tempo houve falta de novos projetos para venda. Recentemente, verificámos que o preço de venda dos novos projetos na zona do Nam Van estava próximo do preço das casas em segunda mão. Os promotores estão dispostos a baixar os preços para estimular o volume de vendas e recuperar capital”.

Verificámos que o preço de venda dos novos projetos na zona do Nam Van estava próximo do preço das casas em segunda mão

A redução dos preços por parte dos promotores indica um esforço para atrair compradores num mercado onde a confiança permanece limitada – a mediana salarial para a população empregada desceu de 18,800 patacas para 17,800 patacas no segundo trimestre deste ano. Também o presidente do Banco Delta Asia, Stanley Au, em declarações à TDM de língua chinesa, alerta que o mercado imobiliário poderá não mostrar sinais de estabilização na segunda metade do ano, mantendo-se os desafios para a banca.

As previsões para os próximos trimestres continuam dependentes dos resultados turísticos, da recuperação do consumo interno e da confiança dos investidores. No entanto, há fatores adicionais que podem prolongar as dificuldades. Como refere Wong, “os fundamentos atuais de Macau são estáveis, mas a estrutura económica e as preferências de consumo dos turistas continuam em mudança.” A título de exemplo, refere o encerramento dos casinos-satélite, que “vai atrasar a recuperação do mercado imobiliário”. As políticas governamentais, o crescimento populacional e a entrada de novo capital poderão ser os fatores que irão moldar o futuro do mercado habitacional”.

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