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Ao segundo dia de greve dos taxistas, Luanda paralisou entre a fome e o medo

Protesto contra a subida do preço das tarifas e dos combustíveis começou na segunda-feira e deve durar até esta quarta-feira. Autoridades confirmaram quatro mortos e detiveram 500 pessoas.

Preocupados com a insegurança e a possibilidade de escassez de bens, muitos luandenses procuraram ontem abastecer-se nas poucas lojas ainda abertas, temendo as incertezas dos próximos dias. No segundo dia da paralisação convocada pelos taxistas – que degenerou em protestos violentos, atos de vandalismo e pilhagens -, populares ouvidos pela Lusa na capital angolana manifestaram receios face à instabilidade e condenaram os distúrbios, mas reconhecem que há motivos para os protestos, que atribuem sobretudo ao agravamento das condições de vida.

“As pessoas pensam com a barriga, não pensam com a cabeça”, resumiu Feliciano Lussati, jovem professor residente na zona de Benfica, à saída de uma cantina (pequena mercearia local) onde conseguiu comprar pão. “A situação do país é caótica, é precária e as coisas estão sempre a aumentar. O salário é quase a mesmice”, disse, justificando a legitimidade da greve dos taxistas.

Para Feliciano, a violência que se seguiu “tem que ver com a fome. Quem tem fome não pensa nas consequências”, porque os problemas socioeconómicos do país fazem “com que as pessoas não pensem com a cabeça, pensem com a barriga”.

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