Se você ler por aí que a crise climática está impactando o nosso tempo na Terra, talvez pense que se trata de uma questão existencial. Mas a afirmação pode ser mais literal do que se imaginaria. A mudança climática —inquestionavelmente guiada pelo homem— e o uso que o ser humano faz dos recursos planetários estão interferindo diretamente com o que entendemos como tempo.
O que parece saído de uma história de ficção científica consta nas páginas das publicações científicas Nature e da Geophysical Research Letters.
Mas como é possível que a mudança climática impacte a noção de tempo? A resposta está nas geleiras.
A explicação para o fenômeno é que o degelo na Groenlândia e na Antártida está diminuindo a velocidade angular da Terra.
Claro que essa informação não te ajuda a entender o problema como um todo. Apertem os cintos!
A rotação da Terra influencia nossos relógios. O Tempo Universal Coordenado (UTC, sigla com a qual você já pode ter tido contato na comunicação com alguém de longe) leva em conta o tempo medido a partir de relógios atômicos e também considera a rotação terrestre. Mas esse movimento da Terra tem variações.
Segundo o estudo da Nature, há dois parâmetros que podem alterar a velocidade angular da Terra: a influência do Sol e da Lua, que podem levar a mudanças de poucos milissegundos; e a atmosfera e movimentos do oceano, com a maior contribuição —até mesmo a fricção entre o mar e o assoalho oceânico entra na conta.
Outros pontos importantes na rotação: o formato da Terra —calma, a Terra não vai ficar plana, as mudanças, que dependem da quantidade de gelo nos polos, não são radicais; e a relação entre manto e núcleo.
Se ainda parece confuso como esses elementos interferem na rotação do planeta, há uma brincadeira que dá uma ideia de como a distribuição de massa pode afetar o planeta. Imagine-se girando sobre uma cadeira —ou se arrisque no experimento.
Leia mais em Folha de S. Paulo