Correção: na versão inicial desta notícia, fonte oficial avançara convites, ao nível do Governo/e ou do Presidente português, para virem a Macau às comemorações da transição de poder. Apurámos entretanto que, na sequência de contactos nesse sentido, não foi formalizado o convite. Nesta altura, essa hipótese terá mesmo abortado.
Pelo menos desde o início do ano se fala da possibilidade de o Presidente Xi Jinping vir a Macau a 20 de dezembro. Afinal, juntam-se este ano duas datas redondas: 25 anos da Região Administrativa Especial de Macau; e os 75 anos da República Popular da China. Por coincidência – ou não – toma também posse o novo Chefe do Executivo, visto como intérprete de um novo ciclo que, desta forma, será direta e pessoalmente ratificado pela mais alta figura de Estado da China. Tudo indica, nesta altura, que essa agenda estará confirmada.
Por ocasião da 6.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau, em abril, era já voz corrente que a pretensão de contar com o primeiro-ministro chinês em Macau poderia entrar em conflito a intensão de Xi Jinping vir em dezembro. Seria inédito que primeiro-ministro e Presidente se deslocassem a Macau no mesmo ano. Como Li Qiang não veio, a hipótese dessa duplicação foi logo abortada. Nesta altura, não há confirmação oficial, agendas nem datas que possamos revelar. Mas o PLATAFORMA confirmou que várias instituições estão já a ser contactadas para gestão de espaços, logística, segurança… e até já há mesmo quem saiba que vai ter a honra de contar com a visita do Presidente, razão pela qual avançam já com preparativos para a cerimónia que lhes cabe, da forma mais discreta possível.

A agenda do Presidente é um tema sensível. Porque é gerida ao mais ínfimo detalhe; só ao Palácio do Povo compete confirmá-la; e porque os protocolos de segurança são, por natureza, complexos e secretos. Por essa razão, e proteção das fontes, não revelamos os locais que o PLATAFORMA já percebeu que, direta ou indiretamente, estarão envolvidos na receção a Xi Jinping. Naturalmente, o Presidente vem com uma extensa comitiva, o que exige uma série de preparativos. A escassos dois meses das datas em causa, seria impossível preparar uma visita deste calibre sem avançar já com gestão de espaços, logística, e a confirmação de alguns locais que pretende visitar. E esse movimento está já em curso.
Contactados pelo nosso jornal, quer o Gabinete de Ligação, quer o Comissariado dos Negócios Estrangeiros, escusaram qualquer comentário. Como é nesta altura natural. Contudo, e sempre com a reserva de que uma deslocação de Xi Jinping só está mesmo confirmada quando a Presidência chinesa o fizer, o nosso jornal tem informação suficiente para confirmar que a sua visita já está assumida em vários circuitos locais – e a ser por eles preparada.
Portugal ainda não decidiu
Há alguns meses levantou-se também a hipótese de estar presente, lado a lado com Xi Jinping, uma das mais altas figuras do Estado português: primeiro-ministro, ou Presidente da República. O PLATAFORMA sabe que o tema foi lançado por Pequim e Lisboa mostrou mesmo abertura; num gesto de ratificação conjunta do processo de transição, mas também um sinal a Pequim do interesse no aprofundamento da parceria estratégica entre os dois países.
Contudo, o nosso jornal confirmou junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa que, depois da primeira abordagem nesse sentido, não houve convite formal.
No caso do primeiro-ministro, Luís Montenegro tem entre 19/20 de dezembro o primeiro Conselho de Ministros Europeu presidido por António Costa, em Bruxelas, o que desde logo indica que estará trancada a sua agenda para qualquer outra deslocação. O que não quer dizer que não possa vir um outro membro do Governo. No caso de Marcelo Rebelo de Sousa, não havendo nesta altura convite oficial, essa hipótese terá mesmo abortado.