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Polícia de Moçambique em reflexão sobre “comportamento desviante” de efetivos

O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, disse que a corporação tem em curso uma “reflexão” interna sobre o “comportamento desviante” de alguns efetivos, para encontrar soluções.

“Nós estamos a refletir como tratar os agentes que contribuem negativamente no índice criminal no nosso país”, disse o comandante-geral, em declarações aos jornalistas, em Maputo, à margem do lançamento do seu livro, na semana em que se comemoram os 49 anos da corporação.

“Estamos a refletir porque há isso, para descobrirmos. O problema, encontrámos: Há comportamento desviante. É um problema, então, [estamos a] refletir para sairmos dessa situação”, explicou, questionado sobre o teor de uma circular interna, sobre o assunto, que o comando-geral enviou para todas as unidades da PRM.

Há vários anos que, entre outras práticas criminais, os agentes policiais são associados aos raptos que continuam a assolar sobretudo a capital moçambicana. Para Bernardino Rafael, todas as organizações “analisam a situação comportamental dos seus trabalhadores” e, quando avaliam, descobrem “o ponto fraco”, para encontrar soluções.

“As instituições existem para poder beneficiar a população, a sociedade. Então, nós analisámos, vimos que há comportamento desviante dos nossos agentes da polícia, alguns. E decidimos, primeiro, fazer uma instrução interna para refletir”, insistiu.

Bernardino Rafael confirmou que uma centena de agentes da PRM foram expulsos da corporação em 2023. “Quando você lê uma circular, busca a palavra-chave. Naquela instrução, a palavra-chave é refletir sobre o comportamento desviante de alguns agentes. Remetemos [a circular] para refletir”, apontou.

O comandante-geral da PRM lançou hoje, em Maputo, na presença do ministro do Interior, Pascoal Ronda, o seu quarto livro, intitulado “Os Conflitos: realidade inegável…?”, que explicou ser uma “obra inacabada” e uma reflexão para a sociedade.

A obra parte da sua experiência como inspetor-geral da PRM em torno de vários casos e tipos de conflitos, como político-militares, laborais, familiares, conjugais e eleitorais, em que teve de intervir diretamente na sua mediação e resolução.

“Será que o conflito não se pode evitar? Não se pode desistir de provocar conflito? Se pode, o que é que é preciso para desistir? O que é importante é viver em paz (…) Então, é uma reflexão conjunta da sociedade, os conflitos não resolvem nada”, explicou.

Questionado sobre a situação de segurança em Cabo Delgado, província no norte de país que enfrenta há mais de seis anos ataques de grupos insurgentes, Bernardino Rafael disse apenas que não escreveu, ainda, sobre esse conflito, mas que o vai retratar no próximo livro, a lançar com o título “Vítimas de inocência”.

“Ali eu abordo qual é a situação de crianças, como é que terroristas se comportam perante crianças, perante os idosos, qual é a parte sanguinária do terrorista, além de matar, esquartejar pessoas”, afirmou.

Plataforma com Lusa

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