Inês começou a falar aos juízes do Tribunal num tom choroso. “Entreguei a menina três vezes, porque eles ameaçavam-me para pagar a dívida do pai, de droga”.
O juiz quis perceber porque ela estava a ser ameaçada por uma dívida de outra pessoa. “Não dizia que não tinha nada a ver com essa dívida? O que a Jéssica tinha a ver com isto?”, questionou o juiz. “Eu disse que não tinha nada a ver com aquilo, mas não me largavam e, se eu não entregasse a Jéssica, matavam a minha família e os meus filhos”, respondeu Inês.
Segundo a mãe de Jéssica, as ameaças eram dirigidas também aos seus outros filhos. Mas nada terá sido feito para os proteger, por exemplo, avisando quem tomava conta deles. “Então, se não avisou, não tinha as ameaças como certas?”, indagou o juiz. Inês não respondeu, o juiz continuou: “Então, se estava a ser ameaçada por causa da dívida de droga, que foi paga depois de muitas ameaças, porque foi outra vez às mesmas pessoas procurar serviços de bruxaria?”. “Não sei”, disse Inês.
O juiz põe outra questão essencial. “A senhora passa à frente de polícias, duas, PJ e GNR, e decide entregar a filha em vez de pedir ajuda. Queria perceber porquê”. Inês, em poucas palavras, invocou medo. “Eu nunca pensava que eles iam fazer mal à minha filha. A primeira vez que a entreguei foi para brincar com a filha da Esmeralda”. “Por outro lado, tinha medo que matassem a sua família”, questionou o magistrado, prosseguindo: “Nós queremos perceber o que aconteceu com a Jéssica, temos que encontrar a verdade e apelo a que a senhora nos ajude a fazer justiça à sua filha e não pode ser com salpicos de verdade aqui e ali”.
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