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Telemóvel do assessor de Bolsonaro continha planos para golpe no Brasil

O telemóvel do tenente-coronel Mauro Cid, assessor direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), continha mensagens e documentos que revelam uma espécie de conspiração para lançar um golpe de Estado no Brasil, revelou hoje a revista Veja.

Os documentos foram citados num relatório de 66 páginas, a que a revista teve aceso, da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal sobre o conteúdo do telemóvel do oficial do Exército.

Mauro Cid foi detido no início de maio por alegada participação num esquema que aparentemente falsificava certificados de vacinação contra a covid-19, altura em que o seu telemóvel foi apreendido por ordem judicial.

Segundo a revista Veja, um dos documentos encontrados no telemóvel de Cid sugere que entre as pessoas mais próximas a Bolsonaro havia militares e simpatizantes conspirando para tentar anular o resultado das eleições presidenciais de outubro do ano passado nas quais o Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, foi vitorioso com 51% dos votos.

O suposto plano buscava demitir os magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e colocar o país sob regime militar.

Segundo a revista, o plano assenta “numa tese controversa” segundo a qual os militares poderão ser “convocados para mediar um conflito entre os poderes” no país, o Executivo, Judiciário e o Legislativo.

Segundo o plano, essa mediação seria chamada porque derrota de Bolsonaro teria sido causada por “decisões inconstitucionais tomadas durante a campanha eleitoral pelos magistrados do Tribunal”, que à época também compunham o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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“Entende-se que o conjunto de factos descritos seria capaz de demonstrar não apenas uma atuação abusiva do Poder Judiciário, mas também o abuso praticado pelos maiores conglomerados de ‘media’ brasileiros, de forma que influenciaria diretamente o eleitor e o resultado da votação. A eleição em favor de determinado candidato”, diz um dos documentos encontrados no telemóvel de Cid.

A Veja também revelou que outro dos textos citava a hipótese de ser decretado o Estado de Sítio, medida que só está prevista na Constituição brasileira para situações extremas.

Além dos documentos, a reportagem traz trocas de mensagens de Cid com outros militares no ativo como o coronel Jean Lawand Junior, então subchefe do Estado-Maior do Exército, que aparentemente, segundo a revista, apoiava a tentativa de golpe.

Lawand Júnior terá dito a Mauro Cid que instasse Bolsonaro a dar a ordem porque ele teria o apoio da tropa. Em resposta, Mauro Cid argumentou que Bolsonaro não tinha certeza de que seria obedecido pelo alto comando das Forças Armadas.

Lawand era subchefe do Estado-maior do Exército. No Governo Lula da Silva foi transferido para Washington, como representante do Exército Brasileiro. Contactado sobre esta conversa, o militar alegou não se recordar do seu teor.

A divulgação do conteúdo das mensagens ocorre quase meio ano após a fracassada tentativa de golpe em Brasília a 08 de janeiro, quando seguidores de Bolsonaro destruíram as sedes dos três poderes em Brasília na tentativa de derrubar o Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, do poder.

Devido à tentativa de golpe, as autoridades brasileiras prenderam cerca de 2.000 pessoas, mas atualmente apenas menos de 300 permanecem na prisão e os demais aguardam o processo em liberdade, embora com várias medidas cautelares.

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