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Países mais pobres gastam 10% das receitas fiscais só para pagar dívida

Lusa

O Banco Mundial alertou hoje que os países mais pobres gastam um décimo das receitas só para pagar as dívidas, a maior proporção desde 2000, quando houve um grande perdão de dívida aos países sobre-endividados.

“Os países mais pobres elegíveis para empréstimos da Associação Internacional para o Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês), do Banco Mundial, gastam agora mais de um décimo das suas receitas de exportação para servir a dívida pública e garantida pelo Estado de longo prazo, a maior percentagem desde 2000, pouco tempo depois de a iniciativa sobre os Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) ter sido estabelecida”, lê-se num comunicado hoje divulgado em Washington.

O novo Relatório Internacional sobre a Dívida mostra que, no final de 2021, a dívida externa total destas economias estava nos 9 biliões de dólares, mais do dobro do montante de há uma década, e que a dívida externa total dos países elegíveis para financiamento da IDA quase triplicou para 1 bilião de dólares.

“O crescimento das taxas de juro e o abrandamento económico global arriscam arrastar muitos países para uma crise da dívida”, alerta o Banco Mundial, notando que “cerca de 60% dos países mais pobres já estão em alto risco de, ou em, sobre-endividamento [debt distress, no original em inglês]”.

Este ano, os pagamentos de dívida deverão aumentar 35% para os países IDA, subindo para 62 mil milhões de dólares, “um dos maiores aumentos anuais das últimas duas décadas”, aponta-se ainda no comunicado, que nota que a China deverá representar 66% dos pagamentos de dívida bilateral dos países IDA.

“A crise da dívida nos países em desenvolvimento intensificou-se; uma abordagem abrangente é necessária para reduzir a dívida, aumentar a transparência e facilitar reestruturações mais ágeis, para que os países possam focar-se na despesa que sustenta o crescimento e reduz a pobreza”, disse o presidente do Banco Mundial, David Malpass, citado no comunicado, no qual acrescenta que, sem isso, “muitos países enfrentarão uma crise orçamental e insustentabilidade política, com milhões de pessoas a cair na pobreza”.

Entre os 75 países mundiais elegíveis para receber financiamento da IDA estão os lusófonos Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

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