Sete dias depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, a cidade de Kherson, no sul do país, era a primeira grande localidade a cair nas mãos das forças russas. A rapidez do avanço deveu-se, em parte, porque os responsáveis locais da agência de segurança e inteligência ucraniana – a SBU, herdeira da KGB após a independência em 1991 – não destruíram a ponte Antonovskiy, no rio Dnipro, permitindo a entrada dos russos. Este será apenas um caso de colaboracionismo que terá estado na origem da decisão do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de afastar o responsável da SBU, Ivan Bakanov, um amigo de infância que ele próprio tinha nomeado para o cargo em 2019. Laços dentro da procuradoria-geral com Moscovo levaram também à saída da procuradora Iryna Venediktova.
Num vídeo divulgado no domingo à noite, em que anunciava as demissões (o seu gabinete explicou já ontem que ambos estão suspensos, pendente de investigação), Zelensky revelou que mais de 60 oficiais do SBU e da procuradoria estão a trabalhar contra a Ucrânia no território ocupado pela Rússia, tendo sido abertos 651 processos por traição e colaboracionismo.
“Um número tão grande de crimes contra os alicerces da segurança nacional e as ligações estabelecidas entre os agentes ucranianos e os serviços secretos russos colocam questões muito sérias aos respetivos líderes”, disse Zelensky, reiterando que tais questões têm que ser respondidas. O presidente tinha sido criticado em 2019, quando nomeou pessoas inexperientes para cargos importantes, incluindo o próprio Bakanov.
A decisão de demitir o amigo de infância (ambos cresceram em Kryvyi Rih) que o ajudou a gerir o seu negócio de media, quando era uma estrela de televisão, e finalmente a sua campanha presidencial, não surpreendeu os analistas. Há um mês, o site Político, citando várias fontes anónimas, tinha revelado que o presidente estava à procura de um substituto para Bakanov – apesar de temer a leitura que seria feita da demissão de um membro do seu círculo próximo.
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