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19 denúncias de violência contra atletas em ano e meio

“Sim. O desporto português tem casos de violência física, psicológica, social e/ou sexual contra atletas. Está tudo muito silenciado e oculto. Poucos denunciam. O assunto ainda é tabu, mas existem e recordo aquele caso da Sara Djassi no ano passado”, disse ao DN Cláudia Pinheiro, que, na sexta-feira, apresentará os números no Congresso do Observatório Nacional da Violência Contra Atletas, no ISMAI (Maia). Desde setembro de 2020 foram feitas 19 denúncias anónimas, a maioria de atletas do sexo feminino: “Talvez porque o desporto ainda é visto como um espaço masculino onde não é suposto um homem ser vítima.”

A 3 de agosto, a basquetebolista portuguesa Sara Djassi (30 anos) escreveu uma carta aberta no jornal espanhol Columna Cero a narrar a “pior experiência da sua vida”, vivida em 2015 e 2016, quando jogava no Ciudad de La Laguna Tenerife, do segundo escalão de Espanha. Em causa, os comentários “inapropriados” do comportamento do técnico Claudio García. “Ele perguntava-me várias vezes se eu tinha namorado. Evitava falar ou até olhar para ele. Pensei que me castigava, porque era sempre a última pessoa a quem pagavam, e eu sabia que as minhas colegas recebiam a horas”, revelou a basquetebolista, recordando os insultos às jogadoras – “suas pu***” – e o vulgar – “chupa-me os tomates”.

O agente agressor é variado. Muitas das vezes a violência traduz-se em bullying dos colegas, outras são os pais que colocam grande pressão nos filhos para terem sucesso. Também os dirigentes que exigem resultados e os adeptos descontentes com o desempenho são agentes abusadores, mas a maioria dos casos reportados aconteceu em contexto de treino. Ou seja, da parte dos treinadores.

“Quando desde jovens estão sujeitos a determinado tipo de comportamentos e atitudes por parte do treinador e vêm que ninguém questiona ou culpabiliza quem os perpetua, acabam por ser socializados nesse contexto e considerarem o abuso como “aquilo que é preciso para se alcançar o sucesso”. E pensam “se os outros aceitam e aguentam é porque é suposto eu passar pelo mesmo”. E por isso “muitos só reconhecem o papel de vítima quando abandonam o desporto”, explicou a antiga ginasta e agora professora universitária, que coordena a equipa de investigação do Observatório criado em 2020.

Poder colaborar na formação dos treinadores é por isso um dos objetivos do Observatório, porque “um berro ou uma sapatada não é treino motivacional, é violência contra o atleta”.

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