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Traficantes exploram jovens e crianças angolanos

Jovens e crianças angolanos, de ambos os sexos, são explorados por traficantes no seu próprio país e fora dele, alerta o relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre tráfico de seres humano.

“Os traficantes exploram angolanos, incluindo jovens de 12 anos em trabalhos forçados no fabrico de tijolos, no serviço doméstico, construção, agricultura, pescas e exploração artesanal de diamantes e outros setores de mineração”, refere o relatório.

Segundo o documento, meninas angolanas com 13 anos são vítimas de tráfico sexual e trabalho doméstico em casas particulares.

“Adultos angolanos usam crianças menores de 12 anos em atividades criminosas forçadas, porque as crianças não podem ser processadas judicialmente”, refere o documento, sublinhando que com a pandemia de covid-19 os “manipuladores” angariaram mais crianças pobres de Luanda para trabalharem na rua a mendigar, engraxar sapatos, a lavar carros e a ajudar a estacionar.

O documento salienta que as províncias de Luanda, Benguela e a fronteira das províncias do Cunene, Luanda Norte, Namibe, Uíje e Zaire são as “áreas de maior ameaça para a atividade de tráfico de seres humanos”.

Em Cunene, por exemplo, segundo o relatório, devido à seca algumas aldeias obrigam as crianças a abandonar a escola para ir buscar água, cavar poços e levar o gado a pastar.

“Os traficantes transnacionais tiram partido das inúmeras passagens de fronteira não seguras, informais e muito utilizadas e levam meninos angolanos para a Namíbia para trabalhos forçados”, refere o relatório.

Os traficantes, segundo documento, também exploram mulheres e crianças angolanas em trabalhos forçados em serviço doméstico e tráfico sexual na África do Sul, Namíbia e alguns países europeus, incluindo Portugal e Holanda.

O relatório refere igualmente que redes de tráfico trazem pessoas da República Democrática do Congo, incluindo crianças, para trabalhar no setor da mineração, que são sujeitos a trabalho forçado e tráfico sexual.

Além da República Democrática do Congo, também há mulheres do Brasil, Cuba, Namíbia e Vietname, que podem ser vítimas de tráfico sexual.

“Devido ao encerramento de empresas durante a pandemia, o sexo comercial passou para ambientes clandestinos, em casas e quartos de hotéis”, salienta o documento, que denuncia também que empresas chinesas exploram funcionários.

“Os governos norte-coreano e cubano podem ter forçado os seus respetivos cidadãos a trabalhar em Angola, incluindo pelo menos 256 médicos cubanos enviados para Angola para combater a pandemia”, acrescenta.

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