O analista guineense Santos Fernandes considerou hoje que o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sisssoco Embaló, tem tentado “lavar a imagem” do país, mas a pandemia provocada pelo novo coronavírus tem dificultado o investimento estrangeiro.
O Presidente guineense tomou posse em 27 de fevereiro de 2020 e passado um mês foram detetados os primeiros casos de covid-19 na Guiné-Bissau, obrigando à declaração do estado de emergência e encerramento de fronteiras durante vários meses.
“O Presidente da República tem feito uso da sua magistratura de influência, através da ministra dos Negócios Estrangeiro, para tentar lavar a imagem do país no mundo, mas em termos práticos, em termos de tradução de investimento direto estrangeiro, ainda é prematuro tirar ilações desta diplomacia económica”, afirmou Santos Fernandes à Lusa.
Segundo o analista, paira “uma grande incerteza” sobre a evolução económica do país e a Guiné-Bissau tem de lidar com a pandemia, mas também com as prioridades de cada país e de cada bloco regional.
“Na Europa há um conjunto de medidas de recuperação económica, nos Estados Unidos também. Todos os parceiros bilaterais e multilaterais da Guiné-Bissau estão voltados para os seus assuntos internos”, salientou.
Para Santos Fernandes, isso vai limitar a capacidade de mobilização de recursos, considerando que poderá haver recessão na Guiné-Bissau até meados de junho.
“A castanha de caju pode ser o balão de oxigénio e minimizar os efeitos da recessão”, disse, mas lembrou que o Orçamento de Estado para 2021 é deficitário e que vai haver mais endividamento, que não está garantido.
“Dependemos do ambiente internacional, que não é favorável porque os países estão envolvidos na luta contra a pandemia da covid-19”, salientou.
A Guiné-Bissau tem atualmente mais de 3.000 casos acumulados de covid-19 e já registou 48 vítimas mortais devido à doença provocada pelo novo coronavírus.