Cabo Verde precisa de parte "muito pequenina" da 'bazuca' europeia para relançar o país

Cabo Verde precisa de parte “muito pequenina” da ‘bazuca’ europeia para relançar o país

O primeiro-ministro cabo-verdiano disse hoje que vai ser preciso o equivalente a uma “pequenina parte” da ‘bazuca’ europeia para relançar o turismo no país, um dos setores mais afetados pela pandemia de covid-19.

“Poucos países no mundo têm poupanças suficientes para fazer face aos extraordinários custos da crise provocada pela covid-19. Foi por isso que a União Europeia criou uma ‘bazuca’ financeira. Cabo Verde precisa de uma parte muito, muito pequenina desta ‘bazuca'”, disse Ulisses Correia e Silva.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, que falava no painel de encerramento do Fórum Euro-África, que hoje termina, sublinhou os fortes impactos das restrições impostas pela pandemia ao turismo em Cabo Verde, setor de que a economia cabo-verdiana é fortemente dependente e que representava perto de 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ulisses Correia e Silva adiantou que a pandemia “abrandou consideravelmente” o progresso do país e o crescimento da economia e que as “consequências foram muito duras”.

“A recessão económica pode atingir os 8,5% neste ano, há aumento significativo da dívida pública e do desemprego”, disse o governante, adiantando que o país terá de continuar a fazer um “grande esforço” para salvar vidas, proteger negócios, empregos e famílias.

O chefe do Governo cabo-verdiano considerou que os resultados deste esforço “são encorajadores” e destacou, neste contexto, o importante apoio da União Europeia, bem como a solidariedade da diáspora cabo-verdiana.

“Financiamos este extraordinário esforço com a ajuda dos nossos parceiros e a União Europeia é o nosso parceiro mais importante e esteve presente”, afirmou.

O governante adiantou que está a trabalhar para posicionar Cabo Verde como “um país seguro e limpo” e para “restaurar a confiança e relançar o setor do turismo”.

“Temos de trabalhar muito para retomar o turismo nas ilhas do Sal e da Boavista, fazendo importantes investimentos para promover boas condições sanitárias e retomar a confiança. Para nós, isto é fundamental”, frisou.

Globalmente, Ulisses Correia e Silva defendeu que a “chave” para África conseguir avançar no pós-pandemia passa pelo perdão da dívida externa dos países.

“Não apenas para corrigir os desequilíbrios causados pela crise do coronavírus, mas para libertar recursos que poderão ser investidos na promoção de mudanças estruturais”, advogou Correia e Silva, adiantando que é preciso “um olhar especial” para os pequenos Estados-ilha como Cabo Verde.

Cabo Verde regista 4.125 casos acumulados de covid-19 e 41 mortes associadas à doença.

O Fórum Euro-África reuniu durante dois dias personalidades dos setores público e privado, sociedade civil, empresários, ativistas e cientistas africanos e europeus com o propósito de aproximar os dois continentes na “procura de pontos comuns num mundo pós-covid”.

O encontro virtual foi organizado pelo Conselho da Diáspora Portuguesa, uma organização privada sem fins lucrativos, com 95 membros em cinco continentes e que tem por missão “alavancar o poder da diáspora, de forma a promover conversas e conexões globais sobre assuntos de cultura, impacto social, ciência, negócios e economia”, segundo a organização.

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