Araghchi destacou que, em comparação com a ronda anterior, “tivemos discussões muito sérias e um ambiente construtivo, no qual trocámos os nossos pontos de vista”. O ministro iraniano reiterou que Teerão não procura fabricar nem adquirir armas nucleares, sublinhando que estas não têm qualquer lugar na doutrina de segurança nacional do país.
O ministro lembrou ainda que o Tratado de Não Proliferação Nuclear garante a todos os Estados-membros o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento de urânio, defendendo que este direito é “inerente, inegociável e juridicamente vinculativo”.
Araghchi criticou as ações dos EUA nos últimos anos, nomeadamente a retirada do acordo nuclear em 2018, que classificou como um “rude golpe na confiança e na estabilidade das obrigações multilaterais”, e o bombardeamento norte-americano de junho, durante negociações, considerando-o uma violação das leis internacionais.
Durante a ronda de negociações, o Irão encerrou temporariamente partes do estreito de Ormuz por questões de segurança, enquanto a Guarda Revolucionária realizava exercícios militares na região. Teerão já avisou que poderá fechar o estreito à navegação comercial em caso de ataque, o que afetaria cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e pressionaria os preços do crude.
Apesar das tensões, os EUA mantêm a pressão sobre Teerão, tendo enviado dois porta-aviões para a região, numa tentativa de reforçar a influência nas negociações. A resposta oficial norte-americana sobre a nova ronda ainda não foi divulgada.

